
Um cidadão que atendia pelo nome António Domingos Francisco, de 24 anos, morreu e duas outras ficaram feridas na consequência de um “arrastão” protagonizado pelos marginais não identificados na manhã de quarta-feira, 06, na rua da Má Vida, no bairro Mulenvos de Baixo, no município de Cacuaco, em Luanda.
O infortúnio ocorreu, segundo apurou o Imparcial Press, por volta de uma hora, quando mais de dez marginais – armados até aos dentes – arrombaram os gradeamentos e se introduziram do interior da residência onde vivia o malogrado.
Ao se aperceber da situação, António Francisco terá abandonado a residência – saltando pela janela do quarto – à procura do refúgio na casa de um dos vizinhos. “Quando tomaram conhecimento que ele fugiu foram lhe buscar, e estando no interior da residência efectuaram dois disparos nas pernas do malogrado”, explicou Domingos Fortunato, tio da vítima.
Tão logo que foi atingido nos membros inferiores, o malogrado terá se fingido de morto, e os marginais deram sequência da sua missão, exigindo dinheiro a família que entregou apenas uma quantia de 30 mil kwanzas, quatro telemóveis e outros bens de casa.
Não satisfeitos com os poucos bens açambarcados, ao se retirarem do local do crime os amigos do alheio voltaram a disparar na região do peito de António Francisco, que em vida decorava eventos e estudava no Instituto Superior Politécnico Deolinda Rodrigues.
Após a retirada dos marginais, a família prestou assistência à vítima deduzindo que ainda estava viva, mas infelizmente o pior já tinha acontecido. “Ainda levamos o malogrado até ao hospital Américo Boavida, pensando que ainda estivesse em vida, mas infelizmente já estava morto”, lamentou o nosso interlocutor.
Domingos Fortunato revelou ainda que, enquanto levavam o malogrado ao hospital, os marginais foram assaltar a residência ao lado, utilizando os métodos – arrombando os gradeamentos e entrar pela janela -, onde foi vítima de disparo, no pé esquerdo, a cidadã Ana da Costa, de 45 anos.

Manuel Costa, esposo da vítima, conta que cinco marginais – armados e sem máscaras – se introduziram na residência, exigindo valores monetários. “A família não resistiu e entregou os 40 mil kwanzas que guardavam para as compras de casa, ainda assim os marginais levaram as alianças do casal, perucas e tantos outros bens”, frisou.
Na tentativa de evitar que os delinquentes tirassem a vida de um dos seus parentes que se encontravam no local, Manuel implorou aos mesmos que levassem a viatura. Mas estes não se importaram e efectuaram disparos que atingiram sua esposa no pé esquerdo. “Implorei que levassem a viatura, mas estes negaram e disseram que necessitavam apenas de dinheiro”, disse
O Imparcial Press sabe que a polícia chegou ao local no momento em que os marginais realizavam o terceiro assalto a mão armada – nas imediações dos Dois Campos –, e houve trocas de tiros, por um período de quase 30 minutos.
“Mas foi impossível capturar um deles porque os mesmos se faziam transportar por uma viatura de marca Toyota, modelo Land Cruiser”, salientou.

As vítimas dizem não haver segurança no bairro, e clamam por algumas esquadras móveis em algumas zonas para minimizar o índice de criminalidade que é cada vez mais assustador.
Edivânio Lopes