Camama: camponesas denunciam despejos, abusos policiais e perseguição política
Camama: camponesas denunciam despejos, abusos policiais e perseguição política
konda marta

Camponesas e dirigentes comunitários acusam a Administração Municipal da Camama de desalojamentos forçados, uso abusivo da polícia e perseguição política contra militantes do MPLA.

A denúncia foi feita neste domingo, 18, no município da Camama, por camponesas, dirigentes comunitários e representantes da sociedade civil, que acusam a Administração Municipal local de priorizar a gestão de terrenos em detrimento da população, promovendo despejos forçados, destruição de habitações e uso excessivo da força policial.

Daniel Neto, presidente do Conselho de Administração da empresa Konda Marta, afirmou que os principais entraves à governação do país não vêm da oposição, mas de quadros internos do próprio MPLA.

“Os verdadeiros adversários do Presidente da República, João Lourenço, não são a UNITA, o PRS ou o PRA-JA, mas sim alguns militantes do MPLA, primeiros secretários municipais e comunais. São esses que estão a combater o Presidente e a manchar a sua imagem”, declarou.

Segundo Daniel Neto, a Administração da Camama deixou de cumprir o seu papel social. “A administração não está aqui para administrar a população. Está aqui para administrar terrenos, invadir espaços e expulsar cidadãos”, disse.

O PCA da Konda Marta explicou que a empresa apoiou as camponesas com a instalação de um posto médico improvisado e uma escola de explicação para crianças, mas que, mesmo assim, as autoridades municipais promoveram novas demolições.

“A justiça no nosso país não serve para proteger o cidadão nem a liberdade de expressão. Serve para manter o sistema e assegurar o poder. Quando alguém diz a verdade, passa automaticamente a ser acusado de ser da UNITA”, acrescentou.

João Francisco Diogo, primeiro secretário do CAP nº 583 e coordenador do bairro TC Neto, relatou que as famílias foram inicialmente desalojadas do Parque das Acácias, sob a alegação de serem “invasores políticos”.

“Disseram-nos que, se enchêssemos dois autocarros de militantes, teríamos garantia de permanência. Cumprimos, mas depois vieram demolir tudo”, explicou

Após o despejo, as famílias passaram um mês no Triângulo (Bagdá) e, posteriormente, foram levadas pela própria Administração da Camama para o Campus Universitário, sem autorização da instituição.

“Quando a universidade questionou a nossa presença, explicámos que foi a administração que nos colocou ali. Tentámos esclarecer a situação junto da administração, mas não fomos recebidos”, disse.

Sem alternativas, as camponesas receberam apoio da empresa Konda Marta, que doou chapas, ripas e pregos para a reconstrução das cabanas. No entanto, na semana passada, fiscais municipais, acompanhados pela polícia, voltaram a demolir as estruturas sem apresentar qualquer documento legal.

“O mais grave é que um fiscal, conhecido por João Baby, chegou a ameaçar-nos de morte caso reagíssemos”, denunciou.

Os denunciantes afirmam que, desde que passaram a receber apoio da Konda Marta, começaram a ser rotulados como militantes da UNITA.

“Somos militantes do MPLA. Não estamos a falar mal do partido. Pelo contrário, estas ações é que estão a manchar o nome do MPLA”, afirmou João Francisco Diogo.

O dirigente comunitário deixou ainda uma mensagem directa ao Presidente da República. “O partido criou-me, nasci no MPLA e vou morrer no MPLA. Ninguém pode separar-me dele. Peço apenas que se olhe para o sofrimento do povo.”

A camponesa Mimosa Alfredo Camongo lamentou o que considera uma inversão das funções do Estado. “Não sabemos se a Administração da Camama veio para administrar pessoas ou terrenos. A polícia deveria combater o crime, mas aqui virou polícia dos terrenos”, questionou

Segundo Mimosa, as mesmas autoridades que despejaram as famílias no Campus Universitário foram as que posteriormente demoliram as cabanas, deixando mulheres e crianças ao relento.

“Isso é desumano. Quando denunciamos o comandante Mingas, ele reage com fúria. Recentemente esteve no espaço da Konda Marta às 17 horas, horário em que deveria estar na unidade a planificar o trabalho policial, e não a supervisionar terrenos”, concluiu.

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