
A corrida para a presidência da Ordem dos Médicos de Angola entrou oficialmente na sua fase decisiva desde o passado dia 28 de Julho, data em que foi dado início à campanha eleitoral. Quatro candidatos disputam o cargo de bastonário, em substituição a pediatra-neonatalogista Elisa Gaspar, cujo pleito está marcado para o dia 5 de Setembro de 2025.
Concorrendo à liderança da organização que representa os médicos angolanos estão os seguintes profissionais: Pedro da Rosa, ortopedista e professor universitário; Eurídice Chongolola, ginecologista e obstetra; Jovita André, reumatologista e directora do Hospital Geral de Cacuaco; e Manuela Sande, especialista em Medicina Interna e Endocrinologia.
A campanha decorre até o dia 2 de Setembro e promete redefinir o futuro da profissão médica em Angola, com cada candidato a apresentar visões distintas sobre ética, valorização da classe, formação especializada e modernização dos serviços de saúde.
A doutora Manuela Wimbo Sande, PhD em Ciências Médicas, aposta numa Ordem virada para o rigor formativo e científico. Defende a criação da Academia Ormed, destinada à formação contínua e sistematização do saber médico.
A sua plataforma inclui ainda propostas de apoio social ao médico e familiares, e aposta na ciência e investigação como pilares de desenvolvimento.
Já a doutora Jovita André, directora do Hospital Geral de Cacuaco, apresenta um programa com nove eixos estratégicos sob o lema “Pela Dignidade Médica, Rumo à Excelência”.
A médica, condecorada pelo Presidente da República durante as celebrações dos 50 anos da Independência Nacional, propõe uma liderança baseada em governança transparente, valorização profissional e apoio psicológico e jurídico aos médicos.
A doutora Eurídice Chongolola, por sua vez, defende uma gestão mais inclusiva e empática, com foco em equidade, ética e representação justa. “Ordem para Todos: Inclusão, Igualdade e Valorização” é o lema da sua candidatura.
Por fim, o médico ortopedista Pedro da Rosa, especialista em Cirurgia da Mão e Microcirurgia, aposta numa Ordem mais próxima dos seus membros, com foco na formação médica, valorização da classe e aproximação entre médico e cidadão.
Docente de Anatomia e Medicina Desportiva, compromete-se com uma gestão marcada pela renovação e responsabilidade.
Apesar do clima de participação activa, o processo eleitoral não está isento de controvérsias. O perito forense Sabalo Salazar acusa a candidata Jovita André de ser “apadrinhada” pela ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, com o objectivo de “controlar politicamente” a Ordem.
Segundo as alegações, Jovita estaria a usar a sua posição como directora hospitalar para coagir colegas e obter apoio à sua candidatura.
Tais acusações, embora ainda não comprovadas, levantam preocupações quanto à autonomia da Ordem dos Médicos e à transparência do processo eleitoral, que acontece seis anos após a última eleição, que elegeu Elisa Gaspar como bastonária.
Outrossim, a Comissão Eleitoral reiterou que o pagamento de quotas é obrigatório até 3 de Setembro para todos os médicos que pretendem exercer o direito de voto. Apenas as assinaturas acompanhadas de comprovativo de pagamento serão consideradas válidas, independentemente de manifestações de apoio anteriores.
A Ordem dos Médicos, enquanto órgão regulador, tem como missão garantir a qualidade da formação médica, supervisionar a ética profissional, promover a actualização dos especialistas e assegurar uma prática médica humanizada e colaborativa entre especialidades.
Com as eleições à porta, cresce a expectativa sobre quem liderará a classe médica nos próximos anos, num momento em que o país enfrenta desafios estruturais no sector da saúde.