
Os candidatos não admitidos por insuficiência de vagas no último concurso público da Educação 2023/2024 anunciaram que irão voltar às ruas nos próximos dias para protestar contra o que consideram ser o silêncio incômodo e a falta de sensibilidade da ministra da Educação, Luísa Maria Alves Grilo, na resolução do impasse.
O coordenador nacional dos candidatos não admitidos, Ivo José Ximuto, garante que o país está mobilizado para uma nova onda de manifestações em várias províncias, exigindo que a ministra cumpra os acordos estabelecidos, com destaque para o enquadramento direto dos candidatos antes de Abril.
Em declarações ao Imparcial Press, Ivo Ximuto criticou duramente a postura da ministra Luísa Grilo, acusando-a de má-fé e de resistir deliberadamente à integração dos mais de 10 mil candidatos.
Segundo o responsável, o Ministério das Finanças (MINFIN) já aprovou as verbas necessárias, mas o MED continua sem dar resposta.
“O MINFIN já deliberou verbas para resolver o problema, mas a ministra ignora o nosso grito de socorro. A Educação precisa anualmente de mais de 60 mil novos professores para suprir a carência no sector. Não entendemos por que razão ainda não fomos enquadrados se o argumento inicial era a falta de orçamento, algo que já foi resolvido”, lamenta.
Os candidatos não admitidos garantem que tentaram resolver a questão de forma institucional, tendo remetido pedidos ao Gabinete da Casa Civil do Presidente da República (GCCPR), ao Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), à Comissão Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e à Sexta Comissão da Assembleia Nacional (SCAN), entidades que responderam favoravelmente à sua causa. No entanto, apesar do respaldo institucional, o problema continua à mercê da vontade da ministra da Educação.
Ivo Ximuto reitera que os candidatos sempre priorizaram o diálogo como via para resolver o impasse, mas lamenta a postura intransigente da ministra:
“Nunca foi nossa intenção recorrer a manifestações e marchas. Somos académicos, pessoas lúcidas. Mas estamos diante de uma ministra que simplesmente ignora tudo e todos, incluindo orientações do Presidente da República e do Ministério das Finanças. Se o problema é a falta de vontade política da ministra, então que nos aguarde nas ruas.”
Segundo o cronograma a que o Imparcial Press teve acesso, a primeira marcha está marcada para a próxima semana, a partir das 10h, em diversas províncias.
O Imparcial Press tentou, sem sucesso, obter um posicionamento oficial do Ministério da Educação. Entretanto, uma fonte do Gabinete Provincial da Educação em Luanda, sob anonimato, garantiu que já existe um processo de auscultação em curso para encontrar uma solução definitiva.
A mobilização dos candidatos segue forte, reforçada pelo discurso do Presidente João Lourenço, que em 2022 afirmou ser “impossível reprovar com positiva”.
A redacção do Imparcial Press continuará a acompanhar o desenrolar deste impasse, que volta a colocar frente a frente a ministra da Educação, Luísa Grilo, e os candidatos representados por Ivo José Ximuto, com a arbitragem do Ministério das Finanças, liderado por Vera Daves de Sousa.
Por: Ngola Ntuady Kimbanda Nvita