Capacitar os empresários angolanos com soluções de pagamento digital – Salome Makau
Capacitar os empresários angolanos com soluções de pagamento digital - Salome Makau
Salome Makau

Angola encontra-se num ponto fulcral da sua evolução económica. À medida que o país prossegue os seus esforços de diversificação para além da dependência do petróleo, as micro, pequenas e médias empresas (MPME) continuam a ser motores cruciais do crescimento.

No entanto, apesar das previsões do governo de um aumento de 4,1% do PIB em 2025, um défice orçamental crescente e uma exclusão financeira persistente poderão impedir o progresso.

Um obstáculo significativo à expansão das MPME é a acessibilidade limitada das soluções de pagamento digital, que obriga muitas empresas a operar no sector informal.

As transações em numerário são dominantes, restringindo a inclusão financeira, aumentando os custos e impedindo o comércio transfronteiriço sem descontinuidades.

No entanto, esta situação está prestes a mudar com o lançamento do cartão de débito Visa/Multicaixa, que irá transformar a forma como os angolanos efectuam transações locais e internacionais.

O novo cartão irá melhorar a literacia financeira em torno da aceitação de cartões. Atualmente, a limitada aceitação do cartão Visa internacional em Angola restringe a experiência dos turistas que visitam o país.

Com a introdução de um cartão Visa para uso doméstico, as empresas locais tornar-se-ão mais familiarizadas com a marca, facilitando o reconhecimento e a aceitação dos cartões Visa dos visitantes internacionais.

Este desenvolvimento apoia o objetivo mais amplo na diversificação económica de Angola, particularmente através do crescimento do sector do turismo.

A inflação e a persistência do comércio informal

Embora a inflação em Angola tenha diminuído desde o seu pico em meados de 2024 para cerca de 27,5% em dezembro de 2024, continua a ser uma preocupação significativa. A inflação tem um impacto directo nas MPME, aumentando os custos de operação e reduzindo o poder de compra dos consumidores.

Consequentemente, um maior número de empresas recorre ao comércio informal para reduzir os custos, enquanto os consumidores se deslocam para mercados não regulados baseados em dinheiro para encontrar preços mais baixos. Este ciclo de informalidade perpetua a exclusão económica, limita o acesso ao crédito e dificulta o crescimento das empresas a longo prazo.

Um dos principais factores deste desafio é a falta de soluções de pagamento digital sem descontinuidades e com uma boa relação custo-eficácia. Os elevados custos e a complexidade da gestão de vários cartões – um para uso doméstico através da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS) Multicaixa e outro para transações internacionais – criam fricções para as empresas envolvidas no comércio regional e global.

O panorama actual dos pagamentos

A adoção de soluções de pagamento digital em Angola continua a ser desigual. A economia formal depende principalmente da rede Multicaixa, que facilita os levantamentos em ATM e as transações em pontos de venda.

Embora sólida a nível nacional, está limitada às fronteiras de Angola, o que obriga as empresas e os particulares a procurar métodos alternativos, muitas vezes dispendiosos, para as transações internacionais.

O sector informal, pelo contrário, depende em grande medida do dinheiro físico, com as soluções de dinheiro móvel (mobile money) a desempenharem um papel crescente, mas ainda suplementar.

As infraestruturas bancárias limitadas, os desafios da literacia digital e as taxas de transação, atrasaram a adoção de serviços financeiros digitais, impedindo os empresários de se integrarem totalmente nos mercados internacionais.

Um ponto de virada: o cartão de débito Visa/Multicaixa

Reconhecendo a necessidade urgente de um sistema financeiro mais inclusivo e sem falhas, a EMIS e a Visa introduzem em Angola um novo cartão de débito sem contacto.

Este produto inovador integra redes de pagamento locais e internacionais, eliminando a necessidade de múltiplos cartões e reduzindo os custos de transação tanto para as empresas como para os particulares.

Pela primeira vez, os angolanos podem utilizar um único cartão de débito Visa para transações nacionais e internacionais, aumentando a conveniência e reduzindo as barreiras financeiras.

O cartão Visa/Multicaixa aumenta a segurança, reduz a dependência de dinheiro físico e proporciona às MPMEs acesso ao comércio eletrónico e às oportunidades de comércio global.

Também promove a inclusão financeira ao oferecer um sistema de pagamento fiável e operativo, permitindo que as empresas expandam e formalizem as suas operações sem os constrangimentos da dependência do numerário.

Promover o crescimento e a inclusão

Esta parceria entre a Visa e a EMIS representa um passo significativo para a modernização da infraestrutura financeira de Angola. Ao expandir a adoção de pagamentos digitais, Angola pode desbloquear uma série de benefícios económicos.

As empresas poupam nos custos de transação e simplificam os pagamentos – melhorando o fluxo de caixa e a eficiência operacional; os empresários, particularmente no sector das MPME, expandem o seu alcance e competitividade ao obterem acesso a redes de pagamento globais; os pagamentos digitais seguros e sem falhas abrem portas a oportunidades de negócio online através do comércio eletrónico – permitindo que as empresas angolanas participem em mercados globais; e ao encorajar as transações digitais, mais empresas poderão integrar-se na economia formal, aumentando as receitas fiscais e a estabilidade económica.

O próximo passo no futuro digital de Angola

Para maximizar o impacto desta inovação, são essenciais os esforços de colaboração dos decisores políticos, das instituições financeiras e dos empresários. As campanhas de sensibilização e as iniciativas de literacia financeira serão cruciais para garantir uma adoção generalizada.

Além disso, os incentivos para que as MPMEs façam a transição para os pagamentos digitais podem acelerar a transformação económica de Angola. Ao adotar soluções de pagamento digital, o país está a preparar o caminho para o crescimento sustentável, o aumento do investimento e a expansão das oportunidades comerciais – tanto em África como a nível global.

*Directora Nacional da Visa para a África Austral

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