Carta aberta ao presidente da FAF
Carta aberta ao presidente da FAF
Alves Simões

Ao Exmo. Sr. Alves Simões
Presidente da Federação Angolana de Futebol
Luanda, Angola

Prezado Senhor Presidente,

É com elevada estima que me dirijo a Vossa Excelência para expressar as minhas felicitações pela recente investidura como Presidente da Federação Angolana de Futebol.

Este marco na sua carreira traz consigo expectativas de uma nova era para o futebol angolano, e estou confiante de que, sob a sua liderança, o desporto-rei no nosso país encontrará o rumo do desenvolvimento e do progresso.

Espero que o seu mandato seja marcado pela concretização das promessas feitas durante a campanha eleitoral, especialmente na revitalização do futebol interno.

É fundamental que este ciclo seja caracterizado por um trabalho inclusivo, reconhecendo os méritos da gestão anterior, liderada pelo Sr. Artur de Almeida e Silva, que, apesar dos desafios, conseguiu elevar o nome de Angola ao topo do futebol africano.

Continuar esse legado será, sem dúvida, um dos seus maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de honrar o esforço e a visão que marcaram o passado recente da Federação.

Para as competições internas, permito-me sugerir uma revisão criteriosa dos actuais moldes de disputa. A tão falada Liga de Futebol de Angola precisa deixar de ser apenas uma promessa publicitária e tornar-se uma realidade estruturada.

É crucial evitar campeonatos em formatos que mais se assemelhem a torneios, como acontece com os nacionais de juniores e do futebol feminino, e garantir competições que promovam estabilidade e profissionalismo.

Em relação ao Girabola, o acompanhamento rigoroso dos clubes deve ser uma prioridade. Aplicar normas e regulamentos que excluam equipas sem condições técnicas e financeiras adequadas é imperativo para preservar a integridade e o nível competitivo do campeonato.

Sugiro ainda que esteja atento às contribuições de figuras influentes e experientes do futebol nacional, como Tomás Faria, Bento Kangamba, Comandante Canelas, Wilson Faria, general Furtado e comandante Prata. O diálogo com essas personalidades, bem como com outros agentes desportivos, poderá enriquecer as suas decisões estratégicas.

O marketing e a publicidade merecem também uma atenção especial. A aproximação dos amantes do futebol ao órgão reitor fortalecerá a relação entre a Federação e a sociedade angolana.

No mesmo sentido, o fomento do futebol infantojuvenil através de competições comunitárias e interescolares deve ser uma prioridade, aproveitando o conhecimento e a experiência de renomados técnicos como Oliveira Gonçalves.

Reforço ainda a necessidade de uma relação institucional sólida com o Ministério da Juventude e Desportos, bem como a ampliação de acordos de cooperação com outras federações africanas e mundiais.

Não menos importante será o apoio directo aos clubes, especialmente no fornecimento de material desportivo e de consultoria no início de cada competição.

Que o futebol em Angola seja, sob a sua liderança, um instrumento de união, socialização e desenvolvimento, e não um espaço onde interesses pessoais prevaleçam sobre o bem maior do desporto.

Desejo-lhe um mandato repleto de conquistas, sabedoria e sucesso.

Com os meus melhores cumprimentos,

Ladislau Fortunato
Jornalista/Realizador

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