
Um casal acusa o hospital materno-infantil Dr. Manuel Pedro Azancot de Menezes, em Luanda, de alegada negligência médica que terá resultado na morte da sua filha recém-nascida, Albertina Luzia Manuel, no dia 15 de agosto de 2025. De acordo com o certificado de óbito, em posse do Imparcial Press, a causa da morte foi registada como septicemia.
Segundo Fernando Manuel, pai da bebé, a sua esposa, Isabel Manuel, deu entrada na unidade hospitalar no dia 13 de agosto para uma cesariana, devido ao histórico de duas intervenções anteriores. Após o parto, a recém-nascida teria apresentado sinais de complicações, mas foi entregue à mãe após seis horas de observação, já no internamento do quinto andar.
No dia seguinte, o pai notou dificuldades respiratórias na criança. Uma primeira avaliação de uma enfermeira não identificou problemas, mas uma segunda profissional confirmou as anomalias e encaminhou a bebé para a Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). Apesar disso, no dia 15, a família foi informada do óbito da criança, cuja causa oficial foi registada como septicemia.
“Porquê entregaram a criança doente à mãe?”, questiona o casal, que considera inadmissível que um hospital que se apresenta como “de referência” cometa erros desta gravidade.
No funeral, os pais afirmam ter ouvido de outros familiares relatos semelhantes de mortes neonatais associadas ao mesmo hospital. Em comparação, referem que unidades como o Hospital Lucrécia Paim e o Hospital Ngola Kiluange “Ngangula” só entregam os recém-nascidos às mães após uma avaliação clínica conclusiva sobre o estado de saúde.
A família afirma desconhecer a identidade da maioria dos profissionais envolvidos, uma vez que os médicos não usam crachás de identificação, mas aponta o Dr. Constantino como responsável pela cesariana.
Até ao momento, não foi apresentada queixa-crime, embora os pais tenham manifestado a intenção de procurar justiça.
A direção do hospital não se pronunciou sobre o caso. O ginecologista que acompanhou a parturiente terá informado que apenas a equipa da UCI poderia prestar esclarecimentos detalhados. Contudo, segundo os pais, os pediatras em serviço não conseguiram justificar a razão pela qual uma criança em sofrimento foi entregue à mãe sem o devido acompanhamento clínico.
Este caso junta-se a várias denúncias de alegada negligência médica em unidades de saúde públicas e privadas do país, expondo fragilidades graves no sistema hospitalar angolano.

O que é a septicemia?
A septicemia, também conhecida como sepse, é uma resposta inflamatória grave do organismo a uma infeção causada por bactérias, vírus ou fungos, que pode comprometer o funcionamento de órgãos vitais. Os sintomas incluem febre, respiração acelerada, pressão arterial baixa e confusão mental.
A condição pode surgir de forma rápida, especialmente após cirurgias ou infeções graves, e quando não tratada precocemente pode evoluir para choque séptico, aumentando significativamente o risco de morte.
O diagnóstico requer avaliação médica em ambiente hospitalar, com recurso a exames laboratoriais e monitorização clínica.
O Dia Mundial da Sepse assinala-se a 13 de setembro, chamando atenção para a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento desta condição potencialmente fatal.