Caso Laurindo Vieira: Réus negam autoria do crime e alegam terem sido coagidos pelo SIC
Caso Laurindo Vieira: Réus negam autoria do crime e alegam terem sido coagidos pelo SIC
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O julgamento do caso “Laurindo Vieira” teve início na última terça-feira, 06 de Agosto, quase oito meses após o assassinato do professor Laurindo Vieira, de 60 anos, no dia 11 de Janeiro, por disparos de arma de fogo, na perna esquerda, na zona do Patriota, em Luanda, quando saia de uma dependência bancária do BCI.

Os meliantes actuaram quando o também reitor da Universidade Gregório Semedo se preparava para subir na viatura, por volta das 14 horas.

Um vídeo divulgado, nas redes sociais, na altura, mostra o momento em que o sociólogo cai a sangrar e a clamar por ajuda aos transeuntes que o socorreram, até a clínica da Endiama, no município de Talatona, onde chegou com vida, foi reanimado, mas acabou por morrer, por volta das 15 horas.

Aconteceu que, desde o início do caso, a rapidez com que o Serviço de Investigação Criminal (SIC) apresentou os supostos autores do crime gerou questionamentos sobre a precisão dos dados investigativos.

Dois dos réus, acusados de participação na morte de Laurindo Vieira, alegaram em tribunal terem sofrido coações e ameaças de morte por parte dos efectivos do SIC, o que os levou a confessar o crime.

Hélder de Carvalho, conhecido como “Pambala”, de 23 anos, afirmou ter sido abordado enquanto almoçava num restaurante na centralidade do Zango 8000, localizado no município do Icolo e Bengo.

“Os agentes do SIC-Luanda mandaram-me levantar as mãos. Quando o fiz, dispararam contra o meu braço esquerdo. Fui levado sob espancamento, com uma pistola apontada à minha cabeça e ameaçado de morte”, declarou Pambala, que é acusado de ser o autor do disparo fatal contra Laurindo Vieira.

Já o Adriano Júnior, conhecido como ‘Mula’, de 33 anos, relatou uma situação semelhante. Ele afirmou ter sido agredido com cabos de vassoura nas costas pelos agentes do SIC, que o forçaram a assumir a culpa.

“Fizeram disparos de arma de fogo em frente à minha família e, sem mandado de captura, fui levado para um local que chamam de Floresta, na centralidade do Kilamba, onde me acusaram de ter matado o professor e ameaçaram matar-me por envenenamento”, declarou Adriano.

Segundo o processo, no dia 11 de Janeiro de 2024, Raúl Gayeta, motorista de uma viatura da transportadora UGO, foi contactado pelo amigo e prófugo Ivan “Camaro” para o ir buscar em Cacuaco. Juntos, dirigiram-se ao Talatona para pegar Adriano ‘Mula’ e Hélder ‘Pambala’. Ivan elaborou um plano para realizar assaltos, mas não encontraram vítimas adequadas no Morro Bento.

No Patriota, Ivan identificou o professor Laurindo Vieira, que supostamente havia levantado um milhão de kwanzas. Ele passou as características da vítima aos comparsas. ‘Pambala’ e ‘Caboba’ abordaram Laurindo, que entregou a sua pasta sem resistência, mas foi baleado por ‘Pambala’, que alegou ter visto uma arma com a vítima.

Os réus negaram toda essa versão dos factos, alegando que as suas confissões foram obtidas sob coação. Durante as alegações, ambos afirmaram que foram obrigados a assinar declarações sob ameaças de morte. “Caso não aceitássemos, seríamos mortos, porque além da surra, as ameaças eram muito fortes e duras”, declararam.

O Ministério Público questionou Adriano ‘Mula’ sobre os nomes dos agentes que o ameaçaram. Inicialmente relutante, ele acabou por identificar um agente chamado Gelson, cuja lembrança associou ao nome do seu irmão.

A representante do MP enfatizou a gravidade das alegações, sublinhando a necessidade de uma investigação rigorosa sobre a conduta dos agentes do SIC. As confissões obtidas sob coação e as evidências de vigilância que situam Hélder ‘Pambala’ na cena do crime complicam ainda mais o caso.

Este julgamento não só determinará a culpa dos réus, mas também avaliará a integridade das investigações conduzidas pelo SIC, uma vez que as acusações de práticas abusivas levantam sérias questões sobre a legitimidade dos métodos utilizados pela instituição, cuja imagem anda seriamente comprometida.

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