
O ex-ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, no governo de José Eduardo dos Santos, general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, disse na quarta-feira, 12, em tribunal, que o dinheiro encontro no apartamento e em posse do major Pedro Lussaty não saiu da Casa de Segurança do PR e que aquele órgão de segurança nunca pagou em dólares ou em euros a qualquer militar.
Ao tribunal, o general Kopelipa, um dos dirigentes mais influentes junto de José Eduardo dos Santos, que esteve em frente da Casa de Segurança do Presidente da República por 22 anos, disse que nunca foi informado de quaisquer actos ilícitos ou crimes financeiros na Casa de Segurança.
O antigo braço direito de José Eduardo dos Santos assegurou que todas as actividades da Casa de Segurança do PR eram legais e supervisionadas.
“Nunca tomei conhecimento, enquanto exerci as minhas funções, que na Casa de Segurança do PR haviam desaparecido verbas! Até onde sei nunca houve desaparecimento de dinheiros”, afirmou o general.
Manuel Hélder Vieira Dias Júnior disse, por outro lado, que nunca houve enquadramento de pessoal civil na Casa de Segurança que ele tivesse autorizado.
Questionado sobre como eram feitas as fiscalizações dos dinheiros, respondeu ser da responsabilidade do secretário-geral da Casa de Segurança e que ele nada tinha a ver com as finanças.
Perguntado se assinava as ordens de saque, respondeu que sim. E que depois delegou para que outros generais também o fizessem.
Sobre a existência de trabalhadores “fantasmas” disse nunca ter tido conhecimento nem ser informado pelos seus adjuntos e subordinados.
Perguntado se a Casa de Segurança pagava salários a activistas do partido MPLA, como assegurou um dos arguidos em tribunal, o antigo responsável da segurança do Presidente José Eduardo dos Santos disse nunca ter existido tal prática.
“Nunca houve pagamentos de salários ou financiamento a nenhum partido político. É falsa essa afirmação”, disse o general, já reformado.
Questionado se conhece o arguido Pedro Lussaty, respondeu que sim, tendo assegurado que o conheceu enquanto capitão na secretaria geral da Casa de Segurança.
Indagado se o major “milionário” era responsável das finanças da secretaria geral, respondeu que não.
Perguntado se a Casa de Segurança do Presidente da República pagava os seus funcionários em dólares ou euros, disse ser apenas em kwanzas e que nunca houve pagamentos em diversas.
Quanto à acusação feita pelo coronel Jacinto Hengombe, antigo assistente da secretaria geral da Casa de Segurança, arguido no processo, de que a Casa de Segurança do PR financiou as campanhas eleitorais do MPLA nas eleições gerais de 2008, 2012 e 2017, Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” disse não ser verdade e exigiu provas ao coronel.
Interrogado se a Casa de Segurança do PR usou os seus fundos operativos para pagar salários aos efectivos, o general de quatro estrelas negou categoricamente.
Ao tribunal, o general Kopelipa negou ter entregue um despacho ao major Pedro Lussaty, como afirmou ter visto o coronel Manuel Correia, antigo comandante da UGP no Kuando Kabango, onde o general ordenava a inserção de pessoal na brigada de desminagem.
O general lamentou o facto do coronel Manuel Correia nunca ter reportado qualquer irregularidade da brigada de desminagem à Casa da Casa de Segurança.
Quanto aos milhões encontrados em malas no apartamento do major Pedro Lussaty, o ex-ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do PR disse, tal como também já tinha afirmado em tribunal o tenente-general Simão Ernesto, seu secretário-geral, que aquele dinheiro pertence a Pedro Lussaty e que nunca saiu da Casa de Segurança.
“A justiça deve investigar de onde saiu o dinheiro do Lussaty. Não foi da Casa de Segurança de certeza absoluta”, afirmou o general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior.
Em reacção, o advogado do major “milionário” Francisco Muteka, disse aos jornalistas que agora esta mais que claro que Pedro Lussaty não cometeu qualquer crime na Casa de Segurança do PR como afirma a acusação do Ministério Público e que no final o tribunal terá que absolvê-lo.
in NJ