
Conheço o jovem Luís de Castro há muitos anos, por sermos filhos da mesma província, o Huambo, e por termos palmilhado juntos vários momentos difíceis da nossa terra. Acompanhámos mutuamente a entrada de cada um na academia, bem como a conquista do primeiro emprego, os motivos que estiveram na base do abandono desses empregos ou das sucessivas mudanças de local de trabalho, sempre sob o argumento de continuidade na prestação de serviços às instituições recrutantes.
Assistimos também aos seus primeiros passos no ativismo cívico no Huambo e arrogamo-nos o direito de afirmar que, em muitas fases decisivas do seu percurso enquanto ativista cívico na província, houve envolvimento direto nosso para o sucesso das missões por ele programadas.
Nós, apesar de sempre termos feito política de forma ativa na UNITA, temos um percurso local que ninguém pode questionar desde os primeiros passos do Projeto Jango Cultural no Huambo até ao auge desse projeto cívico, que sempre se destacou pela coragem e pela capacidade de promover debates com contraditório no espaço público provincial.
Luís, como o tratamos nós que o vimos dar os primeiros passos no Huambo, sempre foi um amigo próximo, alguém que manteve linha aberta para tratar diretamente assuntos político-sociais com dirigentes de topo da UNITA.
Esse estatuto especial, concedido desde os seus primeiros passos, deu-lhe o aval para convidar altos dirigentes do partido do Galo Negro para atividades do Jango Cultural, incluindo a figura do atual Presidente do partido, Eng.º Adalberto Costa Júnior, à época Presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, entre muitas outras figuras que por ali passaram e contribuíram para dar protagonismo ao projeto, tornando-o o maior projeto cívico da região e conferindo legitimidade ao seu presidente, Luís de Castro.
Trabalhámos juntos em 2022, no âmbito da Frente Patriótica Unida no Huambo. Luís foi um dos quadros da sociedade civil que participou diretamente em todas as fases do processo eleitoral, tendo inclusive emitido parecer favorável à tomada de posse dos Deputados eleitos pela lista da UNITA na Assembleia Nacional, no âmbito das auscultações públicas realizadas após os resultados fraudulentos divulgados pela CNE. Esse encontro teve lugar no Hotel Ekuikui, no Huambo.
Após 2022, Luís iniciou um processo que considero normal: o afastamento do ativismo cívico, a criação do seu próprio partido político e a entrada formal na vida política ativa do país.
As suas alucinações políticas começam quando, em vez de se engajar num trabalho político voltado para o enriquecimento democrático do país através de uma oposição coerente, articulada e convergente com as forças opositoras já existentes opta por um discurso sistematicamente crítico à UNITA e a pessoas que, ontem, lhe estenderam a mão e lhe permitiram alcançar o pouco protagonismo nacional de que hoje desfruta.
Prova disso foi o seu recente pronunciamento sobre a alegada não realização de uma entrevista que teria sido agendada com jornalistas da Rádio Despertar.
Associar a não realização dessa entrevista, ou qualquer alteração na pauta radiofónica, a supostas orientações do Presidente Adalberto Costa Júnior é o cúmulo do lunatismo político, vindo de um jovem que, num passado muito recente, julgávamos ter o mínimo de consideração pelo papel que políticos e organizações políticas desempenharam para que hoje desfrute da pouca visibilidade que tem.
Convém lembrar ao jovem em causa que:
Essas e outras aberturas dadas pela mais alta figura da UNITA e uma das mais relevantes figuras políticas do país conferiram-lhe o prestígio necessário para hoje circular, ainda que com pouco respeito, na praça política nacional.
Associar o nome de Adalberto Costa Júnior a uma suposta sabotagem de um pequeno programa radiofónico, para alguém que, tal como ele próprio, ainda é um pequeno ator político, é, para mim, o auge do lunatismo político de Luís de Castro.
Termino dando-lhe as boas-vindas ao mundo da política ativa na nossa pátria. Que sirvas com verdade e que seus interesses sejam os de realizar o angolano e não apenas de se realizar pessoalmente num espaço que, para muitos, já se revelou profundamente corruptor.
Muito obrigado!
*Político