
O Instituto Nacional de Estatística (INE) comprometeu-se a liquidar, até ao final de 2025, as dívidas pendentes com empresas que prestaram serviços durante o Censo Geral da População e Habitação de 2024. O montante em causa ronda os oito mil milhões de kwanzas, a serem pagos através do Orçamento Geral do Estado (OGE).
Joel Bumba Futi, director-geral do INE, esclareceu que o Ministério das Finanças está a proceder à validação documental dos contratos e recibos apresentados pelas empresas, para certificar os serviços efetivamente prestados. Uma comissão foi criada para fiscalizar este processo e garantir a conformidade com os requisitos legais.
Apesar das garantias, a morosidade nos pagamentos gerou descontentamento entre os prestadores de serviços e agentes censitários. Em Março de 2025, dezenas de recenseadores protestaram em frente à sede do INE, exigindo o pagamento dos salários em atraso. A manifestação foi reprimida pela Polícia Nacional, resultando em confrontos e feridos entre os manifestantes.
O INE justificou os atrasos com a demora na homologação das ordens de saque por parte do Tesouro Nacional, assegurando que todos os pagamentos seriam regularizados. No entanto, relatos indicam que muitos agentes ainda não receberam os valores devidos, incluindo salários, subsídios e merendas.
O Censo Geral da População e Habitação de 2024 envolveu mais de 79 mil agentes de campo, incluindo recenseadores e supervisores, que asseguraram a recolha de dados em todo o território nacional. Os resultados preliminares indicam que mais de 77% da população foi recenseada.
O INE anunciou ainda a realização de dois inquéritos em 2025: o Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS), com início previsto para 16 de maio, e o Inquérito de Despesas e Receitas em Angola (IDREA), agendado para setembro. Estes estudos visam avaliar a pobreza multidimensional e monetária no país.