Cidadão aconselha ministro das Relações Exteriores a demitir-se
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Carta aberta ao meu conterrâneo Téte António

Meu conterrâneo,

Dirijo-me a si não apenas como cidadão angolano, mas como irmão desta terra que tanto sofre com as escolhas políticas que têm marcado a vida do nosso povo.

Com tristeza acompanhei o episódio vivido por si recentemente nos Estados Unidos da América, onde manifestantes angolanos, em legítimo exercício da sua liberdade de expressão, expuseram diante do mundo o descontentamento gerado pela má governação e pela falta de respeito aos direitos fundamentais em Angola.

A humilhação pública que sofreu não é um ataque pessoal, mas sim o reflexo directo da política que tem defendido e representado no exterior.

Ao aceitar ser o rosto diplomático de um regime que sufoca os seus cidadãos, reprime manifestantes pacíficos, prende activistas e governa sem transparência, acabou por se tornar cúmplice e corresponsável pelo descrédito internacional que recai sobre Angola.

E lembre-se: até no município do Bembe, aldeia do Kienze, a nossa terra onde nasceu, o povo continua a viver em miséria extrema, sem ter sequer o básico para sobreviver, enquanto se gastam milhões em luxo, viagens e propaganda. Esta é a realidade que não pode ser escondida nem ignorada.

A dignidade não tem preço. A honra de um conterrâneo não deve ser sacrificada em nome de interesses políticos que apenas servem a uma elite e continuam a trair as esperanças da maioria do povo.

Por isso, venho apelar-lhe que reflita com coragem e consciência: o melhor gesto que poderia dar a Angola neste momento seria a sua demissão do cargo. Este acto não seria sinal de fraqueza, mas de grandeza – uma demonstração de respeito pelo povo e pela verdade.

A história é implacável com aqueles que se mantêm do lado errado. Mas ela sabe reconhecer aqueles que, em tempo oportuno, escolhem a dignidade em vez da submissão.

Receba estas palavras como um apelo sincero de um conterrâneo que acredita que o futuro de Angola precisa ser construído com verdade, justiça e coragem.

Com consideração,

Pedro

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