
A fábrica de cimento Cimenfort, localizada no município da Catumbela, província de Benguela, está atualmente a operar com apenas 35% da sua capacidade instalada, estimada em 1,4 milhão de toneladas por ano.
De acordo com o coordenador comercial da empresa, Diendelo Francisco Wilfrid, esta redução no ritmo de produção deve-se, em grande medida, à recessão económica que o país enfrenta desde 2015.
Embora a empresa esteja a registar uma recuperação gradual, a escassez de clínquer – matéria-prima essencial que representa até 90% da composição do cimento – tem sido um dos principais entraves à retoma plena da produção.
Outros constrangimentos apontados pelo responsável incluem problemas técnicos com fornecedores, paragens frequentes para manutenção e avarias em equipamentos essenciais à linha de produção.
“Apesar de o clínquer não ser importado, por ser abundante em Angola, no segundo semestre do ano passado registou-se uma quebra na produção interna, o que provocou uma subida acentuada dos preços”, explicou Diendelo Wilfrid.
Nos últimos cinco meses, o preço do saco de cimento chegou a subir de Kz 4.500,00 para Kz 8.500,00, tendo posteriormente recuado para Kz 6.700,00 há cerca de duas semanas.
A Cimenfort fabrica a linha “Kanawa”, nos tipos 52.5, 42.5 e 32.5, que correspondem aos padrões de resistência exigidos para diferentes tipos de construção. O tipo 52.5 e o 42.5 destinam-se a estruturas de elevada resistência, como pontes e barreiras de betão, enquanto o 32.5 é utilizado em obras residenciais e edificações civis mais comuns, como é o caso da linha “Bué”.
Quanto à distribuição, a empresa tem uma presença consolidada na região sul de Angola. “Estamos sediados na província de Benguela, com acesso direto ao Corredor do Lobito, através de um ramal ferroviário do Caminho de Ferro de Benguela. Isso permite-nos abastecer eficientemente o Huambo, a região leste e também as províncias da Huíla, Namibe e Cunene”, destacou o responsável comercial.
A nível internacional, a Cimenfort já realiza exportações para São Tomé e Príncipe e para a República Democrática do Congo, embora ainda em volumes limitados devido a desafios logísticos.
Sobre a concorrência no mercado, Diendelo Wilfrid afirmou: “O mercado é aberto e competitivo. Cada operador procura o seu espaço, e nós destacamo-nos com argumentos próprios, com base na qualidade e na proximidade ao cliente.”
Com cerca de 150 trabalhadores, a Cimenfort garante a produção da unidade fabril e está atualmente a participar na 14.ª edição da Feira Internacional de Benguela (FIB), onde apresenta a sua gama de produtos, com a expectativa de estabelecer novas parcerias comerciais.