
A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) escolheu recentemente a empresa Convexa – Sistemas e Tecnologias de Informação, constituída em Novembro de 2025 e apontada como ligada ao ministro do Interior, Manuel Homem, para a produção dos cadernos eleitorais destinados às eleições gerais de 2027.
O processo de selecção contou com a participação de um membro da CNE considerado próximo do titular da pasta do Interior, facto que tem alimentado versões segundo as quais a Convexa terá sido favorecida em detrimento da SINFIC – Sistemas de Informações Industriais, empresa associada ao círculo do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e que, em processos anteriores, era frequentemente apontada como favorita para trabalhos ligados à organização eleitoral.
Segundo o CNE, a Convexa – anteriormente designada empresa Múltipla – foi a única concorrente admitida para adjudicação no âmbito do Concurso Público n.º 05/CP/CNE/2025, lançado pela CNE para a prestação de serviços de georreferenciação, mapeamento eleitoral, elaboração de cadernos eleitorais, informação ao eleitor e credenciamento.
Documentos do processo de avaliação indicam que o concurso recebeu quatro propostas, das quais três foram excluídas durante a fase de análise técnica e documental, restando apenas a proposta apresentada pela Convexa como elegível para adjudicação.
As empresas IANN Express – Comércio Geral e Prestação de Serviços, Lda., Júpiter Desenvolvimento Informático (SU), Lda. / Gestgráfica, S.A., e SINFIC – Sistemas de Informações Industriais, S.A. foram afastadas do procedimento por alegado incumprimento dos requisitos estabelecidos no caderno de encargos.
O processo de avaliação foi conduzido por uma comissão criada por despacho do presidente da CNE, datado de 19 de Dezembro, presidida por Cremildo Paca e composta pelos membros efectivos Maria Rodrigues, Adriana Sepissó, Domingos Inácio e Miguel Tandawembo Rodrigues Cazevo, este último apontado como quadro de elevada confiança de Manuel Homem.
Participaram ainda como membros suplentes Gilberto Neto e Jorge Mussonguela.
Com a exclusão das restantes concorrentes, a Convexa surge como a única empresa qualificada para assumir o contrato, caso a adjudicação venha a ser confirmada pelas instâncias competentes da CNE.
O concurso integra um conjunto de procedimentos lançados pela CNE com o objectivo de reforçar a componente tecnológica e logística do sistema eleitoral angolano, abrangendo áreas consideradas críticas, como o mapeamento das assembleias de voto, a organização dos cadernos eleitorais e a gestão da informação ao eleitor.
Paralelamente, a CNE lançou também o Concurso Público n.º 06/CP/CNE/2025, destinado à aquisição de meios informáticos. A respectiva comissão de avaliação é presidida por Isaías Chitombi e integra como membros efectivos João Damião, Maria Veiga e Domingos Inácio.
Os procedimentos fazem parte dos preparativos institucionais para a modernização das infra-estruturas técnicas do processo eleitoral em Angola, tendo em vista as eleições gerais previstas para 2027.
com/club-K