
O Conselho Nacional de Juventude (CNJ) manifestou, esta segunda-feira, o seu veemente repúdio aos actos de vandalismo e violência ocorridos ontem, segunda-feira, e hoje, em Luanda, alegadamente cometidos por indivíduos que se fizeram passar por taxistas e activistas cívicos, no contexto da greve do sector dos transportes.
Em nota oficial enviada à redacção do Imparcial Press, a Comissão Directiva do CNJ lamenta a destruição de património público e privado, resultante dos protestos que se seguiram à subida do preço dos combustíveis e ao consequente reajuste das tarifas de táxi.
A estrutura juvenil classifica os acontecimentos como uma distorção criminosa de uma reivindicação legítima. “A utilização de vestimentas de activistas cívicos para encobrir ações criminosas demonstra uma total falta de respeito pelas instituições, pela ordem pública e pela luta legítima por melhores condições de vida”, lê-se no comunicado.
O CNJ afirma reconhecer a preocupação da população face ao impacto da subida dos combustíveis na vida quotidiana dos cidadãos, mas sublinha que a violência e os métodos ilegais não devem ser tolerados como formas de reivindicação.
A direcção do CNJ, liderada por Isaías Kalunga, exige que as autoridades competentes investiguem exaustivamente os incidentes e responsabilizem os autores dos actos de vandalismo, sublinhando que a impunidade encoraja a repetição de comportamentos similares.
“Tais actos não representam a justa reivindicação dos trabalhadores do sector de transportes, mas sim o desvio criminoso de um protesto legítimo”, reforça a nota.
O CNJ também apela à calma e serenidade de todos os cidadãos, reiterando a importância do diálogo, da negociação e do respeito pelo Estado de Direito como meios adequados para a resolução de conflitos sociais.
“A violência nunca será o caminho. Condenamos veementemente qualquer acto que ponha em risco a ordem e a segurança pública”, conclui o documento.
Os protestos em Luanda surgem na sequência do aumento do preço do gasóleo, que passou de 300 para 400 kwanzas por litro, reflectindo a política de remoção gradual dos subsídios aos combustíveis levada a cabo pelo Governo.
O reajuste provocou igualmente o aumento das tarifas nos transportes públicos e desencadeou fortes tensões sociais nos últimos dias.