
Os jornalistas da Angop que se cuidem, agora vão chegar em Angola um novo concorrente internacional! Se alguém pensa que basta louvar o governo de JLo para se dar bem no jornalismo de Angola, é melhor se informar sobre o que está a vir para Angola, o jornalismo da CNN, que já se prepara para louvar as grandes realizações da política nacional.
Há pouco tempo o governo angolano assinou um contrato milionário a CNN, canal americano de notícias, com o intuito de vender ao exterior uma imagem de Angola como o “paraíso africano”. Tal iniciativa deseja apresentar Angola como um país belo, que cresce e enriquece.
Para entender o que estar por vir, há que assistir a um vídeo divulgado recentemente no YouTube que ironiza o futuro da CNN em Angola. Nele o jornalista anuncia uma Angola que cresce, se desenvolve, respeita os Direitos Humanos e sem a grave desigualdade social que cada cidadão vê em Angola, ao mesmo tempo em que as imagens apresentam imagens terríveis da realidade da gente do país.
É sabido e consabido que esta narrativa é oferecida aos fracos de espírito, e antes houve experiência análoga com o canal Euronews, que apresentava uma imagem paradisíaca em desacordo gritante com a realidade vivida pelos cidadãos angolanos no dia a dia.
Enquanto os governantes angolanos desenham o “paraíso de Kianda”, a realidade é que Angola está atolada numa crise económica, governativa, moral e social que parece não ter fim.
Os cidadãos, que deveriam ser os protagonistas desta história de sucesso, vivem em condições deploráveis, muitas vezes piores que as dos animais nos currais. Há bairros até em Luanda que nem mesmo têm água, luz e telefone.
Até os mais básicos problemas, tais como: saneamento básico, pobreza, corrupção, seca e fome, ainda não foram resolvidos. O partido no poder um dia anunciou que tudo isso “seria resolvido quando Jonas Savimbi fosse morto”, o que não aconteceu.
O governo opta por gastar milhões de dólares em acordos de publicidade com a CNN ao invés de resolver os problemas do país. Esta parceria visa reforçar e melhorar a imagem de Angola aos olhos do mundo, através da CNN e não passa meramente de uma fachada para enganar os incautos no exterior.
Todavia, nem mesmo uma brasileira de classe média alta caiu nessa cilada propagandística, bastando recordar o escândalo internacional que envergonhou a Polícia Nacional, depois que uma jovem publicou em seu Instagram que foi extorquida pela PN nas estradas angolanas, já que esses queriam o dinheiro “da gasosa”.
Em vez de investir em propaganda cara e absurda, o Executivo de João Lourenço deveria focar-se em melhorar as condições de vida dos pacatos cidadãos e mesmo de sua polícia, para que essa não precise mendigar o dinheiro da gasosa aos turistas e aos motoristas de Angola.
A formação de jornalistas e profissionais de comunicação social público é importante, mas sem uma imprensa verdadeiramente livre (que respeita a ética e deontologia jornalística, dando espaço aos partidos da oposição, que actualmente são considerados inimigos públicos, à margem da Constituição da República de Angola) acaba por ser um trabalho de Sísifo.
O verdadeiro desenvolvimento do país só virá com a implementação de políticas públicas eficazes, combate à corrupção e melhoria das condições económicas e sociais dos angolanos.