Cólera provoca milhares de mortes em Angola – Hospitais sem reagentes – Ministério da Saúde perde controle do surto
Cólera provoca milhares de mortes em Angola – Hospitais sem reagentes – Ministério da Saúde perde controle do surto
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Desde o início do mês de Janeiro que, em quase todas instituições sanitárias públicas no país, com a maior relevância das províncias do Zaire, Uíge, Cunene, Cuando Cubango, Malanje, Moxico, Huíla, Lunda Norte e Luanda, registam centenas de mortes provocadas pela cólera, soube o Imparcial Press junto de fontes fidedignas.

O surto da cólera já levou para à cova milhares de angolanos de várias idades, sobretudo crianças, que correram nos centros de saúde e hospitais numa fase em que a doença se encontra no último estágio. E o mais agravante é que nenhuma instituição de saúde pública tem os reagentes para realizar os testes que se impõe.

Curiosamente, diante do surto que assola o país, o Ministério da Saúde orientou os directores dos gabinetes provinciais e municipais a baixarem as ordens aos responsáveis das instituições de saúde públicas e alguns privados, de todo país, para não informarem aos familiares dos pacientes e das vítimas sobre as verdadeiras causas das mortes.

Segundo as fontes do Imparcial Press, diariamente morrem centenas de pessoas vítimas de cólera na província de Luanda, capital do país.

“A situação é tão preocupante que alguns técnicos do sector da saúde se recusam a calar diante da situação, pois há muita gente a morrer por falta de informação e o tratamento inadequado. Pois, os sintomas da doença são claros”, revelou uma das fontes deste jornal sob o anonimato.

De acordo com as mesmas, neste preciso momento quase nenhum centro de saúde ou hospital em Angola tem reagente para detectar a presença do vírus no organismo dos pacientes que procuram desesperadamente pela assistência médica e medicamentosa.

“Mas acreditamos que as clínicas Multiperfil, Girrasol ou Sagrada Esperança (vulgo Endiama) talvez tenham. Porque nas instituições de saúde públicas não existem absolutamente nenhum reagente para se fazer uma análise clínica”, assegurou outra fonte do Imparcial Press.

Recentemente, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, apelou às equipas multisectoriais a permanecerem vigilantes, a fim de se impedir, em Angola, o surto de cólera que assola a República Democrática do Congo (RDC).

A ministra lembrou também que, tão logo a situação da cólera se agudizou em alguns países da sub-região da SADC, o sector que dirige accionou as medidas de vigilância e contenção epidemiológica, em todo o território nacional.

Na ocasião, assegurou que a logística está permanentemente a ser preparada para que, caso surja um doente suspeito, seja diagnosticado e tratado de forma oportuna.

“Activamos as comissões nacionais e provinciais, que estão em vigilância permanente e a divulgar as informações sobre a doença, através dos órgãos de comunicação social”, sublinhou.

A cólera é uma infecção aguda do intestino delgado causada por bactérias Gram-negativas Vibrio cholerae, que entra no organismo de um indivíduo por meio do consumo de água e de alimentos que foram previamente contaminados pelo bacilo.

Uma das sintomas é a diarreia intensa, mais de uma vez por hora, uma vez que as toxinas produzidas pela bactéria promove aumento da produção de fluidos pelas células que revestem o intestino; Fezes líquidas de cor branca, semelhante a leite ou água de arroz; Náuseas e vômitos constantes e ausência de produção de urina. Quando não tratada prontamente, pode ocorrer desidratação intensa, levando a graves complicações e até mesmo ao óbito.

A doença transmite-se principalmente através da água e de alimentos contaminados com fezes humanas com presença das bactérias. O marisco mal cozinhado é uma das principais fontes de cólera. Os seres humanos são o único animal afetado.

Quanto ao período de incubação da bactéria pode ser de 10 a 90 dias, sendo, em média, de 21 dias. Caso o paciente tenha contraído a doença, ela levará de 30 a 50 dias para ser apontada no exame diagnóstico, o VDRL

Na maioria dos casos, esse período é de 2 a 3 dias. O período de transmissibilidade perdura enquanto a pessoa estiver eliminando a bactéria nas fezes, o que ocorre, na maioria dos casos, até poucos dias após a cura. Para fins de vigilância, o período aceito como padrão é de 20 dias.

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