Comandante do SME no Aeroporto 4 de Fevereiro detido por suspeitas de corrupção e imigração ilegal
Comandante do SME no Aeroporto 4 de Fevereiro detido por suspeitas de corrupção e imigração ilegal
belarmino kiala

O comandante do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) destacado no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, superintendente de migração Belarmino da Silva Quiala, encontra-se detido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), por alegado envolvimento num esquema de facilitação da emissão de vistos e apoio à imigração ilegal, apurou o Imparcial Press junto de fontes próximas do processo.

Segundo as mesmas fontes, o oficial foi detido no início da semana passada e transferido posteriormente para a Comarca Central de Luanda, onde permanece à disposição das autoridades judiciais.

A investigação incide sobre um alegado circuito organizado de entrada irregular de cidadãos estrangeiros no território nacional, com ramificações nos serviços migratórios instalados naquele que foi o principal aeroporto do país.

O caso ganha particular relevo pelo facto de Belarmino da Silva Quiala ter sido promovido recentemente, antes de ser detido, o que levanta interrogações sobre os critérios de avaliação, supervisão e controlo interno no seio do Serviço de Migração e Estrangeiros.

Fontes do Imparcial Press indicam que a investigação prossegue, visando apurar o grau de responsabilidade de cada um dos envolvidos, não estando afastada a possibilidade de novas detenções.

As autoridades procuram igualmente perceber se o esquema operava de forma isolada ou se integrava uma rede mais ampla de corrupção ligada à facilitação migratória.

O episódio surge num contexto em que o Governo reconheceu publicamente a existência de práticas irregulares persistentes no SME.

Em Setembro de 2025, o ministro do Interior, Manuel Homem, orientou a direcção-geral do SME a acelerar o processo de modernização da instituição, com o objectivo de melhorar a eficiência, o atendimento ao cidadão e eliminar os “vícios instalados há anos”.

Na ocasião, o governante admitiu que o processo de saneamento seria longo e exigiria coragem política, sublinhando que a instituição precisava de recuperar credibilidade e dignidade no exercício das suas funções, sobretudo num sector sensível como o controlo migratório e a emissão de documentos oficiais.

Apesar dessas garantias, a detenção agora conhecida reforça a percepção de fragilidade dos mecanismos de fiscalização interna e coloca em causa a eficácia das reformas anunciadas.

Nas redes sociais, têm circulado nos últimos dias vídeos e denúncias que apontam para esquemas de venda de passaportes angolanos a cidadãos estrangeiros, alegadamente com envolvimento de quadros superiores do SME.

Contactada, a área de comunicação institucional do SME prometeu pronunciar-se nas próximas horas. Até ao momento, não foi emitido qualquer esclarecimento oficial sobre o caso.

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