Como reconhecer o sucesso dos serviços de Inteligência e Segurança do Estado – Alexandre Chivale
Como reconhecer o sucesso dos serviços de Inteligência e Segurança do Estado - Alexandre Chivale
Alexandre Chivale

No dia 7 de Outubro de 2023, o mundo foi surpreendido com ataques do Hamas (representando a resistência Palestina) aos colonatos israelitas. A resposta desproporcional do Estado de Israel foi imediata. Além dos danos materiais colossais, o número de vítimas ultrapassa as mil.

Com esse incidente (acção e reacção) abre-se um novo capítulo no conflito israelo-palestino que dura há sete décadas. Muito tem sido escrito sobre o conflito e várias foram as tentativas para a sua resolução pela via do diálogo. Todos esses esforços redundaram em fracasso e, hoje, voltamos a assistir um banho de sangue.

Os culpados do costume?

A pergunta que muitos observadores atentos se colocam é: o que falhou para que o Hamas conseguisse disparar uma chuva de rockets a partir de Gaza, que não foi interceptada pelo sistema de defesa Iron Dome (cúpula de ferro), que permitiu infiltrar centenas de militares armados, sequestrar reféns e executar muitas pessoas?

Colocada de outro modo, questionaríamos como o Hamas conseguiu montar uma operação destas proporções que implicam a realização de reuniões de planificação, mobilização de meios (humanos, materiais e financeiros) e infiltrar armamentos sem que o Mossad (serviço secreto de Israel) soubesse e nem os seus aliados tradicionais, a CIA, também soubessem?

Se sabiam, então porque não impediram? Tanto numa como noutra hipótese, estamos diante de um problema grave de falha tanto dos Serviços de Inteligência quanto das forçar armadas.

Peter Lerner, especialista em Assuntos de Segurança de Israel e director de Relações Internacionais no sindicato israelita Histadrut, aponta três razões a saber: “o excesso de confiança nos mecanismos de defesa existentes… A falta de informação e, por último, o fracasso da própria linha defensiva”.

Hoje recordo-me das palavras do ACR quando dizia que “o nosso sucesso é avaliado por aquilo que evitamos, e como o que se evita nunca se vê é normal que a relevância dos serviços de inteligência em tempos de paz seja questionável… mas quando os problemas acontecem, aí lembram-se que há um serviço de Inteligência e Segurança que devia ser capaz de evitar o que aconteceu…é a realidade dos sistemas democráticos.”

Paralelismos com Moçambique

Moçambique passou por drama idêntico, em 2017, embora em menores proporções quando os terroristas que operam em Cabo Delgado lançaram o primeiro ataque contra uma esquadra da polícia e se apoderaram de armamento.

A pergunta que se colocou nessa altura foi: onde estava o SISE?

O SISE estava a ser avacalhado por conta do Sistema Integrado de Monitoria e Protecção (SIMP) que visava evitar que ataques desses acontecessem. E o mal cresceu, Moçambique está à beira da desintegração e o SISE está a tentar reerguer-se.

A questão é: a que preço? Assumindo que tudo (infra-estrutura, dinheiro, etc) se recupera, há dois elementos muito importantes que não se recuperam: tempo perdido e as vidas humanas perdidas sem necessidade!

Teremos atingido o “Ponto de inflexão”?

O termo “ponto de inflexão” (inflection point) na situação política de um país refere-se a um momento crítico em que ocorre uma mudança significativa ou uma viragem importante no rumo político de um país, na opinião pública ou na estabilidade do governo.

Geralmente, o ponto de inflexão indica um momento em que os eventos políticos, sociais ou económicos se tornam tão impactantes que têm o potencial de alterar o curso futuro da nação-Estado.

Esses pontos de inflexão podem ser desencadeados por uma série de factores, como eleições, protestos em massa, crises económicas, mudanças nas alianças políticas ou decisões políticas significativas. Porque todos esses elementos marcam o nosso quotidiano político, deixo que o leitor responda à pergunta que coloquei no subtítulo.

Caso a sua resposta seja afirmativa, e os resultados das eleições autárquicas do dia 11 de Outubro (em Moçambique) o confirmem, aí convido-lhe a reflectir sobre a seguinte questão: é tempo para fazer ou quebrar?

O termo “time to make or break” (tempo para fazer ou quebrar, em tradução livre) é uma expressão usada para descrever um momento crítico ou uma oportunidade crucial em que uma pessoa, uma organização ou pais, são obrigados a tomar uma decisão ou empreender uma acção que pode determinar o seu sucesso ou o fracasso futuro. É um momento em que é necessário tomar uma decisão importante que pode afectar significativamente os resultados.

Porque a vida não pára, continuo a apreciar o cenário nas calmas.

*Jurista e académico moçambicano

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