
Cresce a indignação entre os candidatos ao concurso público de ingresso externo para os Tribunais de Jurisdição Comum, organizado pelo Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ).
Acontece que, três meses após a divulgação dos resultados provisórios, em Agosto, o processo permanece mergulhado num silêncio absoluto, sem qualquer explicação oficial, uma situação que muitos já classificam como injusta, opaca e potencialmente fraudulenta.
Os candidatos, que cumpriram todas as etapas exigidas pelo CSMJ, afirmam que vivem dias de incerteza, ansiedade e desgaste psicológico.
Num comunicado dirigido ao Corpo de Júri, o candidato Saviour Domingos Damião denuncia a “demora injustificável” e exige a “imediata divulgação das listas definitivas”.
O mesmo alerta que a falta de transparência está a afectar profundamente a vida dos concorrentes, que continuam sem saber se terão futuro na carreira judicial para a qual se prepararam durante meses.
Enquanto isso, nas redes sociais, aumentam as críticas à conduta do órgão responsável pelo processo. Paul Lopes, também candidato, foi contundente.
“Um órgão que preza pela justiça acaba sendo um órgão injusto. Assim já querem meter os seus familiares e depois deixar de fora os outros? Haja seriedade, meus senhores”, apelou.
O concorrente acusa ainda o CSMJ de favoritismos e ameaça levar o caso à imprensa, caso o silêncio persista.
Outros participantes reforçam que “enquanto uns anseiam pelas listas, outros já estão a trabalhar. Os que têm padrinho entram, o filho do camponês continua a sofrer”.
Vários outros candidatos manifestam-se preocupados, ecoando um sentimento cada vez mais generalizado entre os concorrentes.
A pressão pública tende a aumentar, e muitos prometem recorrer a todos os meios de comunicação social para expor o que consideram um atraso inexplicável num concurso que deveria ser exemplo de rigor, transparência e justiça.
Para já, o Conselho Superior da Magistratura Judicial mantém-se em silêncio, um silêncio que alimenta suspeitas e revolta.
Enquanto isso, centenas de candidatos continuam à espera, entre a esperança e o desespero, por uma resposta que tarda em chegar.
De realçar que, o Tribunal Supremo acolheu, no passado dia 7 de Novembro, a cerimónia de apresentação do novo juiz presidente do Tribunal Supremo e do Conselho Superior da Magistratura Judicial, Norberto Sodré João.