Conheça os principais matadores do 27 de Maio de 1977
Conheça os principais matadores do 27 de Maio de 1977
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Angola assinala hoje 46 anos dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977. Destarte, o Imparcial Press trás os nomes dos principais responsáveis da chacina – segundo a obra Matadores do 27 de Maio – que resultou na morte de mais 80 mil pessoas que, na altura, foram intituladas de “fraccionistas”.

A obra, publicada em 2014, trás cerca de 45 figuras na capa e contracapa, como ilustram as imagens. Eis a lista:

ANTÓNIO AGOSTINHO NETO, Presidente da República Popular de Angola, do MPLA-Governo, Comandante-em-Chefe das FAPLA e Presidente do Conselho da Revolução, foi e continua a ser o maior criminoso desse genocídio, pois que pesa sobre ele a acusação de ter perdido o sentido de Estado e de responsabilidade, por ter decretado em público a sentença única e colectiva, dizendo: “Não vamos perder tempo com julgamentos, agiremos com uma certa dureza (…). Não haverá perdão para os fraccionistas, seremos o mais breve possível (…). Morte aos fraccionistas”.

Estas palavras pronunciadas pela personalidade revestida dos cargos atrás descritos, soaram como uma sentença de Morte que foram cumpridas integralmente pelos seus agentes, prendendo e matando todos aqueles que fossem considerados fraccionistas e ou contestatários;

LÚCIO BARRETO LARA, Secretário Executivo do BP e do Comité Central do MPLA-Estado e do Conselho da Revolução. Foi o segundo homem da hierarquia do Partido-Estado que usando a falsa qualidade de Vice-Presidente da República e de Secretário Geral do Partido-Estado, órgãos inexistentes, na altura, no Estatuto do MPLA.

Como ideólogo dos editoriais que incitavam a matança dos angolanos, manipulava e dava ordens de cumprimento obrigatório e imediato a todos os responsáveis de órgãos do Partido-Estado, Segurança Nacional, Polícia e Forças Armadas, sendo assim o co-autor moral e material na eliminação física dos mais de 80 mil angolanos.

O luso-italio-angolano, HENRIQUE TELES CARREIRA (IKO CARREIRA), membro do BP e do Comité Central do MPLA, Ministro da Defesa, membro do Conselho da Revolução.

Foi um dos maiores responsáveis da matança, porquanto, comandou os Pelotões de fuzilamentos que executaram sob a sua presença, Nito Alves, Bakalof, Monstro Imortal, Sianouk, Sita Valles e José Van-Dúnem.

Este carrasco, como oficial piloto das Forças Armadas Coloniais portuguesas, bombardeou várias zonas guerrilheiras da Luta de Libertação, tendo exterminado várias populações desta Angola.

Desertado, juntou-se a guerrilha do MPLA, nomeado por Agostinho Neto do cargo de Secretário para Segurança do Comité Director, em substituição de José Pimentel, natural de Catete, que acabou por morrer de fome na travessia onde faziam parte as heroínas angolanas.

JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS. Na linha de responsabilidades e de culpabilização, segue-se o antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na altura membro do BP do MPLA, Secretário do Comité Central para Relações Exterior, membro do Conselho da Revolução e ministro do Plano.

Pesa sobre ele o seguinte: No III Plenário do Comité Central do MPLA (Outubro de 1976) foi indigitado por Agostinho Neto, para presidir a Comissão de Inquérito a fim de determinar a existência ou não do fraccionismo no seio do MPLA e quais os implicados.

Terminado o tempo que lhe tinha sido dado de 60 dias, o Comité Central reuniu-se a 28 de Fevereiro de 1977, para ouvir da Comissão as conclusões. José Eduardo dos Santos não tinha o relatório concluído. As justificações por ele dadas não convencem os presentes e dá-se-lhe mais 30 dia para conclusão do inquérito. Mesmo assim, findo este período, José Eduardo dos Santos não concluiu nem apresentou o relatório da conclusão do inquérito.

Assim, esta OMISSÃO NEGLIGENTE e PROPOSITADA fez com que se chegasse a uma das duas conclusões: 1.° Ou não havia fraccionistas e fraccionismo no seio do MPLA;

2.° Ou que todos os membros do Comité Central concomitantemente do Governo-Estado, Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), Direcção de Informação e Segurança de Angola “DISA – polícia política”, Membros do Conselho da Revolução, e outros, ERAM TODOS FRACCIONISTAS. Pois, sabe-se que José Eduardo dos Santos era dúbio, isto é, reunia-se com Neto e Nito, por isso não pode concluir com imparcialidade.

3.° Na pior das hipóteses, esta omissão negligente e propositada indesculpável, terá ditado a sentença colectiva de morte aos mais de 80 mil indivíduos, como consequência da não clarificação de quem era ou não fraccionista.

EVARISTO DOMINGOS KIMBA, membro do BP e do Comité Central do MPLA, e do Conselho da Revolução e Major das FAPLA. Este verdugo e traidor da luta independentista de Cabinda perseguiu o Nito Alves até a sua entrega às autoridades, tendo ficado com a pasta de Nito onde continha documentos considerados “secretos” que desapareceram. Embora iletrado, foi ministro da Agricultura, e mais tarde embaixador, tendo morrido sem beira nem eira.

PEDRO MARIA TONHA “PEDALÉ”, membro do BP e do Comité Central do MPLA, do Conselho da Revolução e Comandante da extinta FAPLA.
Como militar, e membro dos órgãos acima descritos, participou activamente na perseguição, captura, tortura e todo uma sevicia de atrocidades contra os ditos fraccionistas ou “nitistas”. Muito embora se saiba, que Pedalé participou em algumas reuniões com o comandante Nito Alves.

Depois da purga, embora iletrado (analfabeto porque só sabia ler e escrever) foi agraciado com o cargo de Comissário (Governador) provincial do Huambo, onde em perseguição e repreensão contra os ovimbundos, exterminou alguns por pertencerem a UNITA, com morte lenta em contentores. Mais tarde, por estes feitos, foi elevado a Ministro da Defesa, em substituição do outro sanguinário Iko Carreira.
Morreu como um cão sem dono. Inicialmente o seu corpo foi impedido de ser enterrado em Cabinda, sua terra natal, considerado traidor da causa independentista. O enterro só foi permitido depois de várias negociações que duraram cerca de dois anos.

LOPO FERREIRA DO NASCIMENTO, membro do Comité Central e do BP do MPLA, do Conselho da Revolução e Primeiro-Ministro.
Formalmente era o segundo homem da hierarquia do Governo, em rivalidade com Lúcio Lara (que era segundo homem do Movimento), consta que aquando dos acontecimentos, terá se refugiado no Lubango, província da Huíla, acolhido pelo então comissário (governador) Belarmino Van-Dúnem Sabugosa (já falecido), escapando assim, a sua eliminação física, por dualidade de posições, pois que, era procurado tanto nas hostes nitistas como netistas.
Consta que, os elementos da segurança de Estado (DISA) invadiram seu gabinete de Primeiro-Ministro, revirando móveis, livros, gavetas e tudo que lá se encontrava, a procura de indícios da sua implicação com o nitismo. Os disas arrancaram, inutilizando os telefones do gabinete que fazia ligação com Palácio da Presidência, Chefia das FAPLA, do MPLA, e de outras instituições. De regresso a Luanda, apresentou-se imediatamente ao Presidente A. Neto, aquém contou as causas e motivos da sua ausência da capital, salvando-se assim “in extremis” da sua conotação oficial com Nito Alves.
Como Primeiro-Ministro do Governo de Agostinho Neto, não pode ser ilibado da responsabilização do genocídio sobre 27 de Maio de 1977, uma vez ser parte integrante do sistema de governação.

PAULO TEIXEIRA JORGE, membro suplente do Comité Central do MPLA, do Conselho da Revolução, Ministro das Relações Exteriores. Tal qual como os outros, pertenceu a triste Comissão de Lágrimas. Por um lado, também ordenava o fuzilamento por conta própria. Foi governador de Benguela, Kwanza Norte e deputado a Assembleia Nacional.

MANUEL PEDRO PACAVIRA, activista político, membro do Comité Centro do MPLA e do DOM.
Foi juntamente com Uaenhenga Xitu, um dos principais detractores do comandante Nito Alves, porquanto, lutava-se pela hegemonia entre os marquizardes e os ex-presos políticos, por um lado, e por outro, para o controlo da massa militante entre os dois DOM’s (Nacional e Regional).

Essa dupla perigosa de regionalistas kimbundus, se destacou na purga fraccionista, porque segundo suas versões não admitiam qualquer contestação a Agostinho Neto, e quem ousasse era seria imediatamente abatido.

Durante os acontecimentos do 27 de Maio de 1977, também apareceu publicamente fardado e armado, muito embora nunca tivesse feito parte as estruturas militares e paramilitares, permitindo-o assim matar livremente todos os que cheiravam a fraccionismo.

Pacavira era chefe de um CAC e nesta qualidade conseguiu fazer intrigas junto Agostinho Neto, que resultaram no fuzilamento em haste pública do comandante histórico de 4 de Fevereiro, Virgílio Sotto Mayor, isto, antes da proclamação da Independência.

Com somente 4ª Classe de escolaridade, ocupou vários cargos institucionais tais como: ministro da Agricultura, ministro dos Transportes, Secretário do Comité Central para o sector produtivo, embaixador e deputado da Assembleia Nacional.

CARLOS LAMARTINE, músico-compositor, transitou de bufo da PIDE-DGS para DISA. Denunciou e ajudou os carrascos na caça dos seus companheiros músicos dentre eles, David Zé, Urbano Castro, etc.. Chegou por recompensa a membro do Comité Central do MPLA.

RODRIGUES JOÃO LOPES “LUDI KISSASSUNDA”, director da DISA (polícia política do MPLA-Estado), membro do BP e do Comité Central do MPLA e membro do Conselho da Revolução.

Como chefe da secreta teve como missão prender, extorquir informações, executar e mandar executar os presos, pressionado muitas das vezes pelos seus companheiros mulatos, com destaque para o Onambwe, seu adjunto;

Aquando da extinção da DISA, foi afastado de todos os cargos e recuperado por JES para governador das províncias de Malanje e do Zaire.

HENRIQUE DE CARVALHO SANTOS “ONAMBWE”, Director adjunto da DISA, membro suplente do BP e do Comité Central do MPLA, do Conselho da Revolução. Foi o executor principal durante o genocídio. Tomava iniciativa de matança de angolanos, muita das vezes por questões rácicas, ainda que a vítima não tivesse qualquer ligação com fraccionismo, mas tão somente por ser negro letrado.
Após a extinção da DISA, foi afastado de todos os órgãos que ocupava, e na vigência de JES foi recuperado e nomeado ministro da Indústria. Hoje atirado a sua sorte, atravessando o deserto com uma amnésia crónica temendo da sua própria sombra.

AGOSTINHO ANDRÉ MENDES DE CARVALHO “UANHENGA XITU”, activista político destacado do MPLA e membro do DOM (Departamento de Organização de Massas), e do Conselho da Revolução.
Sob o lema “Quem matar Neto em Catete na passa”, foi um dos perseguidores acérrimo de Nito Alves, por raiva incubada quando Nito, como ministro da Administração Interna, o destituiu do cargo de presidente da câmara municipal de Luanda, numa assembleia de trabalhadores.

Mendes de Carvalho que nunca foi militar e nem pertencia a qualquer órgão paramilitar, andava trajado de vestes camuflado militar, com cinturão e pistola, foi de carro blindado prender seu sobrinho (filho da irmã) Caeiro Fortunato, na altura seu vizinho.

Este jovem desapareceu até a presente data. Quem lhe deu o sumiço? Uanhenga Xitu foi elogiado pelas execuções feitas, por sua iniciativa, no discurso do 1º de Agosto de 1977, por Iko Carreira, então ministro da Defesa.

Como recompensa, foi agraciado com os cargos de governador de Luanda, ministro da Saúde, secretário do Comité Central do MPLA para Saúde, membro do Comité Central, embaixador na RDA e Polónia e deputado. Tudo isso, só com a 4ª classe de escolaridade. Foi igualmente membro da Comissão de Lágrimas composta maioritariamente por mulatos e apenas três negros. Extorquiu depoimentos, na altura de decisão para ser ou não fuzilado fingia que estava a dormir.

JULIÃO MATEUS PAULO “DINO MATROSS”, membro do BP e do Comité Central do MPLA, do Conselho da Revolução, Comandante e membro da Direcção Política Nacional das FAPLA. Participou activamente na perseguição, captura, torturas e fuzilamentos. Após extinção da DISA, criou-se o Ministério da Segurança de Estado (MINSE) onde foi o primeiro ministro deste órgão.

Recebeu por transição as pastas dos acontecimentos em alusão, sendo por isso um dos melhores conhecedores do processo 27 de Maio. Ainda assim, é co-responsável na falta de divulgação e esclarecimentos do processo. Como recompensa, foi governador de Benguela, Secretário Geral do MPLA e hoje deputado.

ANTÓNIO DOS SANTOS FRANÇA “NDALU”, membro do BP e do Comité Central do MPLA, do Conselho da Revolução e Comandante da 9ª Brigada das FAPLA.
Aquando dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977, como Comandante da 9ª Brigada fortemente implicada no processo, ordenou a detenção e fuzilamento de todos militares daquela Unidade que se encontravam fora do quartel.

Mas, no entanto, quando se apercebeu da prisão do comandante Roberto Leal Monteiro “Ngongo” (antigo ministro do Interior) foi a prisão soltá-lo, salvando-o da carnificina que se seguiu a todos membros que faziam parte da 9ª Brigada.

CRISTIANO ANDRÉ, membro do Conselho da Revolução e Presidente do Tribunal Popular Revolucionário.
Foi o responsável máximo deste fictício órgão judicial que fingia julgar os fraccionistas, sem processo, nem defesa, ou contraditório para depois serem condenados à morte e entregues aos pelotões de fuzilamento criados para efeitos.
Foi juiz presidente do Tribunal Supremo e foi patenteado a general das Forças Armadas Angolanas.

CARLOS ALBERTO VAN-DÚNEM “BETO”, activista político do MPLA, foi juntamente com Uanhenga Xitu, Pacavira e Bernardo de Sousa, os responsáveis do DOM Regional, em contraposição com o DOM Nacional, chefiado por grupo de Nito Alves.

Estes quatros responsáveis foram os artífices da caça aos ditos fraccionistas nos bairros de Luanda e nas restantes províncias que aderiram a manifestação.
Beto Van-Dúnem, segundo as suas próprias palavras, pretendiam exterminar todo o negro que tivesse o nível escolar acima de 4ª Classe. Participou activamente na busca, captura, ordenou e assistiu o fuzilamento de alguns.
Agraciado com o cargo de Ministro do Comércio Interno, importou propositadamente um vinho (kissuku) com doses elevadas de ferro e chumbo, que consumido embriagava o utente e uma vez adormecido nunca mais acordava. Morria. Esse vinho foi denominado pelos populares de “Beto Kissuku”.

DIÓGENES BOAVIDA, membro do Conselho da Revolução e ministro da Justiça. Elemento fundamental na farsa processual contra os nitistas, trabalhava em estreita colaboração com os Tribunais Popular Revolucionário e Militar, nos pséudo julgamentos dos “fraccionistas”, fez parte da Comissão de Lágrimas e assistiu a fuzilamentos de vários indivíduos, como testemunha jurídico do Governo.

Consta que, dos falsos julgamentos, os elementos condenados a morte tinham por último a sua assinatura. De recordar que Diógenes Boavida, depois de deixar o parlamento, foi acometido por uma doença, tendo falecido em Portugal abandonado pelos seus companheiros.

Consta ainda que nos últimos momentos da sua vida foi retirado da enfermaria para o corredor do hospital porque o Estado angolano já não sustentava o seu tratamento. Morreu como um cão sem dono. Enterrado num dos cemitérios algures em Portugal, como que de castigo se tratasse.

JOSÉ MARIA, capitão das FAPLA, cooptado das Forças Armadas Português onde foi Alferes Miliciano, foi membro do Conselho da Revolução. No decorrer da manifestação do 27 de Maio de 1977, na companhia do Onambwe e de oficiais cubanos, dispersaram os manifestantes que se encontravam defronte a TPA e RNA, num acto que se estima terem morrido, só naquele momento, mais de 500 pessoas entre homens, mulheres, mulheres grávidas, crianças, adolescentes e velhos. Esteve presente em todas as sessões de torturas e matanças.

MANUEL MIGUEL DE CARVALHO “WADIJIMBI”, tenente das FAPLA. Em Malanje, na companhia dos seus concunhados, Miguel Felix Camaketo e Kambrukussu, e dos cunhados Tony e Manuel Marta, enlutaram várias famílias naquela província, com maior realce a inteligência malanjina.
Consta e pesa sobre ele, o fuzilamento de cerca de uma vintena de jovens da JMPLA num dos pavilhões de basquetebol, que haviam se manifestado em solidariedade dos acontecimentos em Luanda. Alguns jovens só não foram executados por ele, graça a intervenção de Afonso Van-Dúnem “Binda” que se encontrava em serviço naquela província.

Por este acto macabro, foi agraciado com o cargo do Director Geral da Agência Angola Press (Angop), mais tarde o de Vice-Ministro da Comunicação Social. Hoje acometido por uma trombosite, atravessa o deserto da vida, a espera partir desta para melhor.

VIRGÍLIO DE FONTES PEREIRA “GIGI”, como membro da JMPLA, em cumprimento as directivas de Agostinho Neto, que consistia em denunciar, prender e matar os nitistas, denunciou a DISA os seus irmãos Panquê e Nela Fontes Pereira (amiga de Nito Alves), que levados nunca mais foram vistos.

Consta que a Manuela teria sido salva caso aceitasse se envolver sexualmente com alguns chefes da DISA, que alegavam ser (ela) amante de Nito Alves. Panquê deixou um filho que Gigi, como tio, nunca o apoiou, no crescimento, educação, trabalho, entre outros, muito embora hoje faça parte da lista dos milionários de Angola.

Foi Ministro de Administração do Território, membro do BP e do CC do MPLA e actualmente presidente da Bancada Parlamentar dos maioritários.

ADELINO MARQUES DE ALMEIDA, Capitão “Muxanvua”, na altura coordenador da JMPLA no bairro Golf (hoje Kilamba Kiaxi). Fez parte da distribuição do “Livro Vermelho” de Nito Alves (13 Teses em Minha Defesa), que levou a fuzilamento centenas de jovens que tivessem conhecimento da existência ou lido o referido livro, isto como partidário de Nito Alves.

Na revira-volta, muda-se para o lado triunfante e passa a destratar os seus ex-companheiros, tendo neste acto denunciado dois jovens que ele considerava os mais perigosos para a sua vida, entregues a DISA e foram fuzilados.

Como jornalista trabalhou na RNA, foi director do Jornal de Angola, deputado da 1ª Legislatura, que em conjunto com outros dois jornalistas, Alexandre Gourgel e André Passy já falecidos, faziam a tripla que combatiam no Parlamento a ala savimbista. Actualmente é presidente da ERCA.

KUNDI PAHAIMA, activista político do MPLA. Integrou vários órgãos do MPLA/Estado. Membro do BP e do CC, Comissário provincial do Cunene, Ministro da Segurança do Estado, Governador de Luanda por acumulação, General das FAA Rf., ministro da Defesa Nacional e ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra, tudo isso como recompensa da sua participação na repreensão contra os fraccionistas. Morreu feito um rato.

JOÃO ANIBAL MELO, jornalista, escritor e ex-ministro da Comunicação Social, aliou-se aquando do 27 de Maio de 1977, aos seus mais velhos mulatos que compunha a Comissão de Lágrimas.
Como jornalista fazia parte do grupo de redactores que, como se sabe, incendiavam o país com os editoriais racistas, divulgados de hora a hora, nos órgãos de comunicação social estatal, no chamado “Bater no Ferro Quente” enquanto estiver quente.

BORNITO DE SOUSA, tenente das FAPLA e membro da JMPLA. Fazia ainda parte da Contra Inteligência Militar (CIM).
Foi nestas qualidades que se solidarizou com os outros matadores na identificação, perseguição e captura de supostos manifestantes.
Consta que coordenou pessoalmente o grupo de militares que foram capturar o lendário guerrilheiro inter-urbano “Sabata”, cujo destino, como se sabe, foi fuzilado, seu corpo jaz na vala comum do Cemitério da Mulemba “14”, em Luanda.
Foi recompensado, primeiro promovido a grau de Capitão, posteriormente Secretário Geral da JMPLA, e outros cargos ocupados. Presentemente é Ministro de Administração do Território.

LUÍS DOS PASSOS DA SILVA CARDOSO, 2º Tenente das FAPLAS, em funções do Comissariado Político Nacional, como estafeta, teve o traquejo de “Nado”, Galiano, Zé Van-Dúnem e outros responsáveis daquele órgãos e através deles conheceu Nito Alves.
Foi um dos muitos jovens que distribuíram o policopiado das “13 Teses”. Na ressaca de 27 de Maio, foi quem matou o Major e ministro das Finanças, Saidy Mingas. Este acção teve como testemunha o seu companheiro Rafael José Mateus dos Santos que tentou persuadi-lo a não cometer tal acto, pois que não havia ordens de quem quer que fosse para matar.

Foi na base disso que a DISA e outros órgãos do Estado, difundiram por muito tempo, sobretudo no Jornal de Angola, a sua imagem pedindo para que fosse denunciado, capturado e ou morto, como altamente perigoso.

De regresso à vida pública, já com compromisso assumido com o MPLA, se infiltra na criação do Partido Renovador de Democrático (PRD). O compromisso teve realce nas primeiras Eleições Gerais de 1992, quando em contradição com os companheiros do partido, se opunha que se falasse do 27 de Maio, durante a campanha. Orientado pelo MPLA, expulsou os seus opositores nitistas, originando o desaparecimento do partido, cumprindo assim o seu compromisso.

Atravessou o deserto por muito tempo, e, regressado no MPLA, foi agraciado com cargo de director da Caixa Social das FAA, na província de Malanje.
Ameaçou processar judicialmente o malogrado José Fragoso (PCA e Vice-Presidente da Fundação 27 de Maio) por esta denuncia constar no seu livro intitulado “O Meu Testemunho, a purga do 27 de Maio de 1977 e as suas Consequências Trágicas”. Mas, no entanto, até a sua morte, José Fragoso nunca foi notificado.

JOÃO LUÍS NETO “XIETU”, membro do BP e do Comité Central do MPLA, do Conselho da Revolução e Chefe do Estado Maior das FAPLA. Revestido desses cargos, algumas listas de indivíduos detidos eram elaboradas e dactilografadas pela sua secretária Ruth Adriano Mendes, esposa de outro carrasco Moises Ndozi, e posteriormente entregues aos chefes dos Pelotões da Morte. Temendo perder o cargo, matou pessoalmente o seu adjunto Jacob Caetano “Monstro Imortal”.

“Monstro Imortal” foi preso no Ministério da Defesa, exposto acorrentado junto ao gabinete do Xietu, sofreu várias sevicias, tais como: cuspidelas na cara, mijos no corpo, pontapés, entre outras, até que horas antes da sua morte ter sido furados os olhos para que não visse os seus matadores, e participou activamente na matança dos mais sonantes, sempre em estado etílico.

Em determinados momentos, era temido pelos seus companheiros, tanto a nível do Movimento, do Estado e das Forças Armadas. Não perdoou nenhum contemporâneo catetista que se achou implicado no fraccionismo. Há muito afastado das estruturas do partido, é general das FAA na reforma, foi Director da Caixa Social das FAA, de onde foi apeado por incompetência e gatunagem.

RUTH ADRIANO MENDES, Tenente das FAPLA, elevada a grau de Capitã, isto depois do 27 de Maio, pelos serviço prestado no gabinete do Chefe Estado Maior “Xietu”, do qual foi secretária, que consistiu na elaboração das listas dos fraccionistas a abater. Ela (esposa do Comandante Ndozi, na altura) e o seu primo Tino Pelinganga procederam à caça ao homem de todos ex-presos políticos provenientes da cadeia de São Nicolau e os residentes no Bairro Popular, onde o par residia, identificados com o nitismo, e enviados para à morte.

Agraciada com a bolsa de estudo na então República Democrática de Alemanha, regressada ao país foi colocada no secretariado do Conselho dos Ministros. General das FAA na Reforma e deputada na Assembleia Nacional.

HERMÍNIO JOAQUIM ESCÓRCIO, ao tempo, secretário particular de Agostinho Neto, Chefe do Protocolo Cerimonial da presidência da República, aliado a mulatada da Comissão de Lágrimas, transmitiu informações contra e a favor de A. Neto, atiçando a intriga entre brancos, mulatos e negros, convencendo por muitas vezes o Chefe a concordar com o fuzilamento de alguns, cujas listas provinham da Comissão de Lágrimas.

H. Escórcio tem conhecimento de todos indivíduos fuzilados, cujas listas foram assinadas e/ou concordadas por Agostinho Neto, conforme relato em livro de Uanhenga Xitu.

Seu cunhado “Nado”, oficial das FAPLA adstrito ao Comissariado Político Nacional, na fuga em companhia de Zé Van-Dúnem, Sita Valles, Rafael dos Santos e outros, por acidente parte as lentes dos óculos e, não podendo prosseguir a marcha, regressa a Luanda e vai a casa da irmã, esposa de H. Escórcio, a fim de pedir protecção, sabendo que o seu cunhado era um dos homens fortes da presidência. “Nado” enganou-se. Hermínio Escórcio ligou para DISA que prontamente apareceu, o torturaram selvaticamente e levaram-no meio morto.

PAIVA MAGALHÃES NVUNDA, membro do BP e do Comité Central do MPLA, do Conselho da Revolução, Comandante de Coluna das FAPLA e membro do Estado Maior General.
Com a morte do seu irmão Comandante Bula, supostamente pelos fraccionistas, entrou em acção na perseguição, captura, torturas e mortes, de todos quantos que cruzaram no seu caminho e outros que ousaram pedir protecção ou ajuda como detidos. Foi ministro do Interior por curto tempo, hoje general na Reforma e foi Secretário para os Quadros do secretariado do BP do MPLA.

FERNANDO FAUSTINO MUTEKA, activista político do MPLA e membro da DISA. Como ovimbundu, foi o maior carrasco dos bienos e huambuenses e não só durante a ressaca do 27 de Maio de 1977, porquanto não admitia que os mesmos quisessem matar A. Neto. Participou activamente na ala nitista divulgando as “13 Teses” e na revira-volta, eliminou todos que conheciam da sua participação no nitismo.
Posteriormente, Comissário (governador) provincial do Bié, Ministro da Agricultura, de Administração e do Território e governador do Huambo, por recompensa. Membro do BP e do CC do MPLA.

NORBERTO DOS SANTOS “KWATA KANAWA”, activista político do MPLA trabalhou com Lúcio Lara que o projectou politicamente após 27 de Maio, colocando-o no recém criado órgão DOM (Departamento de Organização de Massas) quem conjunto com outros jovens, enveredaram na caça ao homem fraccionista, motivo pelo qual foi ascendendo aos lugares cimeiros da estrutura do partido, membro do BP e do CC do MPLA, e depois de Governo, nomeadamente Governador da Lunda Norte, Secretário do Estado e Ministro da Assistência Social, Secretário para Informação, Ministro dos Assuntos Parlamentares e governador de Malanje.
Tudo isto foi lhe acrescido como recompensa do trabalho realizado na repreensão dos nitistas.

BENTO JOAQUIM SEBASTIÃO BENTO, membro destacado da JMPLA, que no combate ao fraccionismo denunciou dois dos seus amigos e companheiros que desapareceram até hoje, com receio de que um deles pudesse denuncia-lo. Pois, Bento Bento nutria simpatias veladas a Nito Alves, motivo do seu receio em relação aos seus companheiros.
Denunciado pela Fundação 27 de Maio, disse processar o seu presidente, Silva Mateus, caso não pedisse desculpas. Silva Mateus, não só reafirmou como aconselhou Bento Bento que se de facto se sentisse lesado por difamação e calunia que se encontrassem no tribunal.
Até hoje, a Fundação e seu presidente aguardam pela notificação do tribunal.

JOÃO ERNESTO DOS SANTOS “LIBERDADE”, membro do Comité Central do MPLA, do Conselho da Revolução, do Estado Maior das FAPLA e Comandante de Coluna.
Logo a seguir do 27 de Maio, foi nomeado Comissário provincial da Lunda, que nesta qualidade mandou localizar, identificar e fuzilar todos da etnia kimbundu que se encontravam na província, que em resposta aos editoriais de Ndunduma e outros, sobre a morte do Comandante Dangereux, seu conterrâneo do Moxico.

ARTUR CARLOS MAURÍCIO PESTANA DOS SANTOS “PEPETELA”, membro do Conselho da Revolução e Vice-Ministro da Educação. Membro activo da Comissão de Lágrimas, que extorquia informações, usando alicate (puxando as unhas, cabelos etc.), chicote (usando nguelelo), choque elétricos (nos testículos e mamilos), dentre outras formas de sevicias.

Como Vice-Ministro da Educação, coordenava uma comissão que tinha por objectivos, pesquisar em todas escolas do país, jovens dos 14 aos 18 anos de idade, dotados de QI (quociente intelectual) extraordinária para posteriormente serem eliminados.

Ainda assim, com a promessa de bolseiros, foram triados alguns alunos em várias escolas do país. Consta que foram encontrados 50 jovens dotados de uma super-inteligência, que como pseudo-bolseiros, embarcaram em avião para uma suposta viagem ao exterior. Quando na verdade foram lançados no alto-mar. Até hoje, os progenitores desses jovens aguardam ansiosamente o seu regresso. Pepetela foi o responsável directo do desaparecimento desses 50 jovens, apenas do sexo masculino.
Ainda assim, fazia parte do grupo de redactores que elaboravam os editoriais incendiosos no Jornal de Angola intitulados “Bater no Ferro Quente”, juntamente com Costa Andrade “Ndunduma”, Manuel Rui Monteiro, João Melo e outros.

JOSÉ LUANDINO VIEIRA, como jornalista e escritor, além de fazer parte da Comissão de Lágrimas, redigia escritos publicados nos órgãos de comunicação social estatal. Esses escritos atiçavam o ódio rácico contra os negros sob o pretexto de que os nitistas pretendiam matar todos mulatos e brancos.

FERNANDO DA COSTA ANDRADE “NDUNDUMA”, activista político do MPLA. Foi o coordenador do chamado grupo da Comissão de Lágrimas, já citada, que juntamente com outros incendiavam o país com os seus editoriais racistas, divulgados de hora a hora, nos órgãos de comunicação social estatal, no chamado “Bater no Ferro Quente” enquanto estiver quente.

Foi igualmente o celebre do texto e cabeça de cobra, atribuído a Nito Alves. Texto este, anunciava o prelúdio do que iria acontecer e o que aconteceria ao Nito e seus companheiros, isto muito antes do 27 de Maio de 1977.

Conclui-se assim que, os acontecimentos após o 27 de Maio estavam planificados. De resto, juntamente com outros carrascos da sua cor, não perdoaram nenhum angolano que se lhes aparecia como uma ameaça. Foi assim que todos negros que trabalhavam nesses órgãos, maioritariamente, foram eliminados sem deixar rastos.

ANTÓNIO JACINTO DE AMARRAL MARTINS, membro do Comité Central do MPLA, do Conselho da Revolução e Secretário do Estado da Cultura.
O luso-angolano em causa fez parte da Comissão de Lágrimas que tinha como objectivo extorquir depoimentos a ferro e fogo a troco de uma suposta salvação de morte, que depois de confessado verdades ou mentiras, o acusado era morto impiedosamente. Foi um dos acérrimos racistas, mas, atribuiu em conluio a etiqueta a Nito Alves e seus companheiros.

Como homem da cultura, juntamente com Carlos Lamartine, foi o engenheiro da morte de todos os cantores, tais como: David Zé, Urbano Castro, Arthur Nunes e outros então emergentes, além de outras figuras ligadas às artes plásticas, escultores, actores de teatros, escritores, etc., etc.,…

MANUEL RUI MONTEIRO, membro do Conselho da Revolução e Ministro da Informação.
O ideólogo da Comissão de Lágrimas, controlava os órgãos da Comunicação Social na sua plenitude, destilava o ódio entre os negros nitistas e netistas, por um lado, e pseudo-superioridade dos mulatos sobre os negros. Chamava os negros de matumbos, incapazes de substituir os seus pais colonos.

Foi igualmente co-autor dos editoriais “Bater no Ferro Quente” publicados no Jornal de Angola. Logo após o 27 de Maio, mandou encerrar o jornal Diário e a revista Notícias, de Charula de Azevedo, cujo filho “Charula” foi fuzilado como nitista. Participou activamente na repreensão e matança dos mais de 80 mil angolanos.

FIDEL CASTRO, o falecido ex-Presidente do Partido Comunista de Cuba, do Conselho do Estado e Comandante-em-Chefe das FARC (Forças Armadas Revolucionárias de Cuba).
Sob o lema: “Defender Neto, é defender a revolução angolana”, consta que depois dos manifestantes terem, sob o seu controlo da RNA e TPA, Agostinho Neto aflito refugiou-se num submarino soviético acostado nas águas angolanas, tendo daí telefonado para Fidel Castro, pedindo socorro imediato, depois de lhe informar o que estava acontecer.

Cuba e Fidel Castro tinham em Angola vários destacamentos militares que perfaziam cerca de 50 mil homens, espalhados de Cabinda ao Cunene. Em Luanda onde se encontrava a unidade de elite, seu comandante recebeu ordens directas de seu chefe Fidel, para que sair em defesa do Neto, reprimindo os manifestantes.
Foi assim que alguns oficiais cubanos, acompanhados por Major Kamu de Almeida, Major Delfim de Castro, Capitão José Maria e outros, em carros blindados, irromperam contra os manifestantes que se encontravam junto das já citadas instalações, abrindo fogo com as metralhadoras fixas nos blindados, pelo que neste acto morreram mais de 500 pessoas.
Com a participação directa de Cuba na matança de angolanos, imiscuiu-se nos assuntos internos de angolanos para angolanos, na capa de internacionalismo proletário, ou seja, ajuda desinteressada. Essa farsa ajuda, custou aos cofres do Estado angolano (do povo que ele próprio matou) mais de cinco biliões de dólares.

HÉLDER MANUEL VIEIRA DIAS “KOPELIPA”. Movido pela cor, não se distanciou muito dos seus que compunham a Comissão de Lágrimas. Kopelipa, jovem das FAPLA, recebia “ordens superiores” para orientar e certificar “in loco” o fuzilamento de alguns autóctones indicados pelos seus superiores. Assim, o general contribuiu literalmente no genocídio que assombrou nestas datas as famílias angolanas. Como tal é autor moral.
Por não se conhecer feitos na luta pela Independência e da sua afirmação, embora tenha desertado da Frente Militar Sul como Capitão.

O antigo Procurador Geral da República, general JOÃO MARIA DE SOUSA e o ex-juiz presidente do Tribunal Constitucional, RUI FERREIRA, ambos na altura Capitães das FAPLA, em comissão de serviço na província de Benguela, entusiasmados pela propaganda de incitamento à violência contra os fraccionistas, para agradar as chefias, enveredaram também na caça aos ditos golpistas que segundo se dizia pretenderem matar Agostinho Neto.
Nesta senda foram os executores da família Rasgado, de Ngungu Arão, então Comissário Provincial de Benguela, dentre outras famílias.

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