Consultor do ex-ministro inviabiliza crédito de 630 milhões de kwanzas à Cooperativa Jovens Produtores da Quizenga
Consultor do ex-ministro inviabiliza crédito de 630 milhões de kwanzas à Cooperativa Jovens Produtores da Quizenga
walter demba

Walter Demba, consultor do antigo ministro da Agricultura e Florestas, António Francisco de Assis, terá sabotado um processo de concessão de crédito agrícola de 630 milhões de kwanzas a um grupo de agricultores, após ver frustrado o seu plano de desviar parte dos valores.

Segundo apurou o Imparcial Press, o financiamento, anunciado publicamente, em Agosto de 2023, pela presidente do conselho de administração do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), Felisbela Francisco, destinava-se à Cooperativa Jovens Produtores da Quizenga, localizada na província de Malanje.

A cooperativa, composta por 48 jovens agricultores que cultivam milho, batata rena e outros produtos numa área total de 240 hectares, é considerada um exemplo de sucesso agrícola e vinha sendo apoiada pelo Programa de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC Jovem) desde 2021.

Em 2023, o ex-ministro Francisco de Assis e a responsável do FADA visitaram a cooperativa e testemunharam o progresso do grupo, culminando no anúncio de um crédito de 15 milhões de kwanzas para cada membro.

A decisão gerou grandes expectativas, mas a situação mudou drasticamente no início de 2024, quando Walter Demba foi designado para prestar assessoria ao grupo.

De acordo com os membros da cooperativa, tão logo que o consultor do ex-ministro tomou conhecimento do montante a ser disponibilizado, orquestrou uma série de acções para desviar parte dos recursos.

Walter Demba apresentou um plano alternativo, no qual os fundos seriam transferidos para a conta da sua empresa, Terra Sul, reduzindo drasticamente o valor destinado a cada agricultor para 1,8 milhões de kwanzas.

Para concretizar o seu plano, o mesmo tentou obrigar os agricultores a assinar uma procuração que o autorizaria a representá-los como procurador jurídico em nome de José Carlos Arnauth Rodrigues Pacheco.

A resistência de alguns membros, que consideraram as ações fraudulentas, resultou em represálias. Walter Demba acusou os jovens agricultores de rebeldia, insinuando que os mesmos pretendiam usar os fundos para abandonar o país.

As consequências não tardaram a surgir. Sob alegada orientação do ex-ministro Francisco de Assis, a direcção do FADA cancelou o crédito prometido. Simultaneamente, o ministério ordenou a retirada das terras cultivadas pelos jovens agricultores, apesar destes possuírem um contrato de exploração válido por 15 anos.

A dor de perder os valores do fundo, cerca de 554.400.000 de kwanzas, levou ainda Walter Demba a influenciar os produtores agrícolas chineses, que operam em terrenos vizinhos da cooperativa, a cortar o fornecimento de água, no sentido de inviabilizar a continuidade das actividades agrícolas.

Os jovens agricultores denunciam o caso como um exemplo flagrante de corrupção e discriminação, destacando a facilidade com que figuras influentes do sector obtêm crédito, enquanto pequenos produtores enfrentam barreiras burocráticas e obstruções.

Os membros da cooperativa apelam às autoridades competentes para investigar o caso, uma vez que até o FADA se recusa a explicar sobre o cancelamento do crédito, nem deu oportunidade aos membros da cooperativa para apresentarem a sua versão.

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