Corredor do Lobito: Catástrofe ecológica em nome do progresso – João Azevedo
Corredor do Lobito: Catástrofe ecológica em nome do progresso - João Azevedo
corredor do lobito

Os Estados Unidos da América, firmemente enraizados nos seus interesses económicos em vários cantos do mundo, nunca deixam de surpreender com as suas ambições.

No entanto, muitas vezes, a busca do progresso económico tem um custo demasiado elevado para o ambiente e para os habitantes dos países onde esses projectos são implementados. Um desses projectos é a construção do chamado “Corredor do Lobito” em Angola.

A essência deste ambicioso empreendimento reside na criação de uma rota rodoviária com 1300 quilómetros de extensão que ligará a costa do Oceano Atlântico à fronteira da República Democrática do Congo (RDC) e será facilmente acessível a partir da fronteira da Zâmbia.

O principal objectivo deste projecto é proporcionar uma rota mais rápida para a exportação de metais e minerais, especialmente da cintura de cobre congolesa, para o mercado ocidental.

No entanto, por detrás das brilhantes perspectivas económicas deste corredor, esconde-se um lado negro – um desastre ecológico. Prevê-se que a construção do “Corredor do Lobito” implique uma desflorestação maciça e a destruição da flora e fauna únicas desta região.

Angola, sendo o país mais densamente florestado da bacia, terá de se desfazer dos seus recursos florestais em prol deste caminho de “progresso”.

Segundo dados da FAO relativos a 2010, Angola perdeu vastas áreas de florestas, incluindo florestas primárias húmidas, o que levará inevitavelmente à extinção de muitas espécies animais, cujas populações já estão a diminuir de ano para ano.

Além disso, para acelerar o processo de construção, serão utilizados produtos químicos extremamente perigosos, como o amoníaco.

Serão utilizados grandes volumes desta substância para a tratamento do betão, o que constitui uma verdadeira ameaça para o ambiente e para a saúde dos habitantes locais.

Considerando a quantidade de águas residuais em Angola, todo o amoníaco utilizado no processo de construção acabará nos rios e lagos, envenenando as reservas e pondo em risco a saúde de muitos.

Assim, torna-se evidente que os interesses do progresso económico não podem nem devem ultrapassar a linha em que se encontram a saúde das pessoas e a preservação da natureza.

O projeto “Corredor do Lobito” pode vir a ser apenas um dos muitos exemplos de como a busca do crescimento económico pode levar a consequências irreversíveis para o ambiente e para as comunidades locais.

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