
Funcionários do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) denunciaram alegadas irregularidades graves na gestão da instituição, liderada pelo engenheiro Felismino da Costa, envolvendo suspeitas de corrupção, favorecimento de empresas privadas e desvio de fundos públicos avaliados em cerca de mil milhões de kwanzas.
Segundo fontes do Imparcial Press, desde 2024 até à presente data, a direcção do IDA terá contornado normas legais e administrativas para beneficiar determinadas empresas, em troca de contrapartidas financeiras ilícitas, conhecidas popularmente como “propinas”.
As práticas terão tido especial incidência no concurso público realizado no final de 2025, destinado ao fornecimento de fertilizantes simples e compostos.
De acordo com as mesmas fontes, parte significativa dos valores recebidos de forma indevida poderá ter origem em empresas parceiras do Estado, algumas das quais terão sido declaradas vencedoras dos referidos concursos, mas que não estão a cumprir as obrigações contratuais assumidas.
Há ainda indícios de que verbas públicas transferidas para essas empresas estariam a ser utilizadas para fins alheios ao objecto contratual.
Os funcionários alertam que, paralelamente, terá ocorrido desvio de recursos destinados a despesas correntes do IDA, situação que estaria a comprometer seriamente o funcionamento operacional da instituição e a sua capacidade de apoiar o sector agrícola nacional.
“O Instituto está a ser asfixiado financeiramente, enquanto se protegem interesses privados”, refere um dos funcionários.
Entre as empresas que participaram no concurso público para fornecimento de fertilizantes, e que agora estão sob suspeita de ligações indevidas à direcção do IDA, constam: Vera Nova Lda., Grupo Terra Sul, Anfeng Lda., Global Enza, Food Life Lda., Solevo Angola, Angata Lda., Fertiangol, Agroawa, Kapilongo Angola, Yan Comercial Ina e Osvalferry Consulting.
Os denunciantes referem ainda que, em várias regiões do país, agricultores apoiados pelo IDA queixam-se da fraca qualidade dos insumos distribuídos, classificando alguns fertilizantes como impróprios, enquanto outros produtos simplesmente não chegam ao destino.
“Se não houver intervenção urgente das autoridades competentes, parte significativa da produção agrícola prevista para este ano poderá ficar comprometida”, alertam.
Perante a gravidade das acusações, os mesmos apelam à substituição imediata da actual direcção do IDA e à abertura de investigações independentes para apurar responsabilidades criminais, administrativas e financeiras.