CSMJ abre inquérito ao presidente do Tribunal da Comarca de Luanda após movimentações irregulares de magistrados
CSMJ abre inquérito ao presidente do Tribunal da Comarca de Luanda após movimentações irregulares de magistrados
João Bessa

O Conselho Superior da Magistratura Judicial de Angola (CSMJ) instaurou um processo de inquérito contra o juiz de direito presidente do Tribunal da Comarca de Luanda, João Bessa, por alegadas irregularidades na movimentação recente de magistrados para outras localidades.

A decisão consta da resolução da 7.ª sessão extraordinária do plenário, realizada a 27 de Novembro, que declara “nulas e sem efeitos jurídicos, por incompetência material e orgânica”, as referidas movimentações efetuadas pelo magistrado.

Segundo apurou o Imparcial Press, o processo de inquérito foi deliberado após o plenário considerar que o juiz presidente da Comarca de Luanda atuou fora das suas competências ao proceder às transferências.

Embora o CSMJ não tenha estabelecido ligação direta entre esta decisão e outros processos em curso, a medida surge num contexto de crescente tensão nos círculos judiciais, sobretudo após a libertação provisória do empresário Erivaldo Teixeira Pereira da Gama, consultor da China Huashi Group (H&S) e arguido no conhecido “caso AGT”, relacionado com um esquema de fraude superior a 100 mil milhões de kwanzas.

Fontes ligadas ao processo indicam que a liberdade provisória concedida ao empresário poderá ter resultado de interferências de natureza familiar e institucional.

Segundo essas fontes, Erivaldo Teixeira manteria uma relação familiar directa com a juíza conselheira Efigénia Mariquinha dos Santos Lima Clemente, vice-presidente do Tribunal Supremo, alegadamente por ser casado com uma das suas filhas.

A magistrada é apontada como tendo exercido influência para garantir o desfecho favorável ao arguido.

De acordo com as informações recolhidas, a juíza teria contado com o apoio de João Bessa, agora alvo de inquérito, para viabilizar a libertação provisória de Erivaldo Teixeira.

Uma das consequências indiretas da alegada interferência terá sido a transferência compulsiva de um dos juízes de garantias, identificado apenas por Sadrack, que, segundo fontes internas, teria resistido a orientações consideradas irregulares e recusado validar instruções que classificou como ilícitas.

As suspeitas de favorecimento e interferência hierárquica no processo continuam a gerar inquietação no setor judicial, num caso que poderá marcar um novo capítulo no debate sobre a independência dos tribunais e a responsabilização interna na magistratura angolana.

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