Cuando Cubango: Activista ‘Batalhador Sofredor’ perseguido sem tréguas pelo governador e vice-governadora
Cuando Cubango: Activista 'Batalhador Sofredor' perseguido sem tréguas pelo governador e vice-governadora
governantes CC

Francisco Koati Tchombé, vulgarmente conhecido como Batalhador Avô Sofredor (o Repórter do povo), é um jovem professor de 33 anos, residente em Menongue. É activista cívico e das poucas vozes críticas à governação na província do Cuando Cubango.

Além das tentativas de convocação de manifestação quem têm sido inviabilizadas pelo Governo Provincial, o activista Batalhador Sofredor também recorre às redes sociais denunciando o estado de putrefação social e económica da província: a pobreza extrema, a falta de saneamento básico (o lixo excessivo), o desemprego, a corrupção, o tribalismo, o nepotismo, o abandono de obras orçamentadas e inacabadas por parte do governo, a degradação das estradas, a promiscuidade nas obras do PIIM e outras mazelas. Bastando visitar a sua página Batalhador Avô Sofredor para ter prova bastante disso.

Pelo seu activismo Batalhador tem sofrido todo o tipo de ameaças e de perseguição numa província onde as pessoas são proibidas de falar política. Segundo o activista, os principais autores destes episódios vergonhosos são José Martins (governador provincial) e Helena Lourenço Chimena (vice-governadora para os sectores político, social e económico).

CRONOLOGIA DOS FACTOS

Os episódios mais recentes datam de Janeiro de 2023. Através da sua página do Facebook o jovem activista Batalhador Sofredor publicou uma carta que circulava nos grupos do whatsaap, da autoria de um suposto militante do MPLA identificado como Domingos Lituai.

A mesma carta era dirigida ao Presidente da República denunciando a incompetência do Governador Provincial e os actos de corrupção, de nepotismo, de tribalismo e de má gestão por ele protagonizados quer a nível do Governo como do seu partido.

A carta publicada denuncia também a forma como foi nomeada a Vice-governadora sem anuência do partido e o processo crime que tramita no SIC Provincial, em que está envolvida a mesma, que já esteve presa por actos de corrupção quando era responsável da Contratação Pública do Governo Provincial do Cuando Cubango.

A simples publicação desta carta transformou-se num pesadelo para o activista, que no dia 4 de Janeiro foi avisado pela Vice-governadora em plena sala de aulas (já que esta é sua professora) que ele seria detido por este facto.

No dia 10 de Janeiro consumou-se a informação, pois o jovem activista foi detido pelos Serviços de Investigação Criminal. Consigo foram aprendidos o seu telemóvel, um telefone fixo e um monitor de computador. Ao longo de quase uma semana foi molestado pelos Serviços de Investigação Criminal.

No dia 16 de Janeiro depois de ser ouvido pela Procuradoria Geral da República foi posto em liberdade sob termo de identidade e residência, sendo-lhe devolvido somente o telemóvel. Os outros meios continuam no SIC até hoje.

PERSEGUIÇÃO ACADÉMICA

Batalhador Sofredor é estudante do 3° ano do curso de Direito no Instituto Superior Politécnico Privado de Menongue e pelo seu bom desempenho era delegado de turma até a data dos factos narrados. Porém, a perseguição política também foi levada à academia onde tem como professora Helena Chimena, a vice-governadora.

A mesma criou condições para que o activista fosse afastado do cargo de delegado, a fim de evitar qualquer contacto directo, pois antes da sua detenção Helena Chimena comunicava-se regularmente com ele na condição de delegado de turma, para orientar determinadas actividades lectivas e, posteriormente, este transmitia aos seus colegas.

Servindo-se da sua posição política e académica tem apresentado um comportamento despiciendo, humilhando recorrentemente o jovem activista na sala de aulas recebendo sempre o telefone ou mandando desligar enquanto ela esteja a leccionar, para evitar supostas gravações do que ela diz ao longo das aulas e que este não tenha dados para publicá-la. Igualmente retira-o a palavra sempre que este queira intervir.

O píncaro desta perseguição tem sido a reprovação do jovem activista pela vice-governadora. De forma desavergonhada no I semestre a senhora professora Helena Chimena reprovou-lhe na disciplina de Direito da Família e no II semestre o facto repetiu-se na disciplina de Direito dos Contratos.

De realçar que as únicas disciplinas em que obteve aproveitamento negativo no presente ano lectivo são somente aquelas que são leccionadas pela vice-governadora.

O cúmulo de tamanha barbaridade deve-se ao facto de estar a prejudicar dolosamente alguém que tira do seu próprio bolso e paga mensalmente 29 mil Kuanzas de propina (já que o Instituto Superior é privado).

O jovem activista já endereçou uma carta à direcção do Instituto Superior Politécnico Privado de Menongue, datada de 15 de Maio de 2023 reportando todo o terror académico que tem sofrido por parte da professora Helena Chimena, vice-governadora para os sectores político, social e económico do Cuando Cubango.

O ESTADO DO PROCESSO

O processo crime de que é acusado já foi remetido ao Tribunal Provincial e a qualquer momento o jovem activista será chamado a sentar-se no banco dos réus para ser julgado por algo que não é da sua autoria, mas sim porque os senhores poderosos da província assim o querem.

Na primeira pessoa ele afirma: eu estou a ver fumo nestas bandas. Temo pela minha vida fruto das constantes ameaças e o meu futuro académico é incerto.

Batalhador Sofredor sente-se isolado, numa luta solitária, pois o medo dos jovens no Cuando Cubango é maior do que a coragem. Já foi detido várias, sem nunca receber o mínimo de solidariedade.

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