Cuando Cubango: Ministro flagra empresas chinesas protegidas por altos membros do Governo a explorar madeira proibida
Cuando Cubango: Ministro flagra empresas chinesas protegidas por altos membros do Governo a explorar madeira proibida
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Uma delegação do Ministério da Agricultura e Florestas flagrou no sábado, 13, três empresas chinesas que operam na província do Cuando Cubango, a explorar ilegalmente a madeira da espécie Mussivi (Guibourtia coleosperma) que está em via de extinção.

Na ocasião, o ministro António Francisco de Assis – que chefiava a delegação – mostrou-se agastada com a situação, que considerou “muito crítica”, e ordenou a sua apreensão, recordando aos infractores que a exploração desse tipo de madeira é proibida pelo Estado, pelo que as empresas implicadas serão responsabilizadas criminalmente.

O Imparcial Press sabe que as referidas empresas – duas localizadas em Menongue e uma no município do Cuito Cuanavale – são protegidas por altos membros do Governo Provincial do Cuando Cubango e da Polícia Nacional local, que desvalorizam a luta contra a corrupção levada ao cabo pelo Presidente da República, João Lourenço, desde 2017.

Em 2018, o Ministério da Agricultura e Florestas, durante o acto de abertura do ano florestal de 2018, realizado na localidade do Úcua, província do Bengo, proibiu o corte da espécie Mussivi (Guibourtia coleosperma) e do Pau-Rosa (Swartzia fistuloides), outra espécie muito rara e que corria o risco de extinção.

“O Cuando Cubango e Moxico são as duas províncias que são detentoras da espécie Mussivi em Angola, cuja madeira é muito valorizada no continente asiático”, informou o ministro, para quem, infelizmente, hoje já se está a sentir os efeitos de desflorestação desordenada.

Recordou que, em Angola, não é permitido cortar Mussivi, mas, nos grandes estaleiros visitados, é a espécie mais apreendida, tudo por falta de cumprimento das normas, pelo que o ministério promete pôr fim, uma vez que as empresas já estão identificadas.

Conforme o ministro, para a campanha florestal que se avizinha, haverá muito mais rigorosidade na exploração da madeira no Cuando Cubango e Moxico.

António Francisco de Assis avançou que seguir-se-ão, também, um conjunto de medidas, no sentido de se proteger o património florestal.

O governante referiu que a madeira apreendida será revertida a favor do Estado que, por sua vez, servirá de apoio às empresas que fabricam carteiras escolares, janelas, portas, mobiliário e outra será possivelmente exportada, dependendo das modalidades exigidas para o efeito.

Solicitou ao Governo do Cuando Cubango a ter uma actuação mais cuidada em relação às empresas locais que estão na actividade da exploração da madeira, para reverter o quadro preocupante deste exercício.

De salientar que Mussivi, a árvore considerada a jóia das florestas do Cuando Cubango, está em vias de extinção, devido à exploração anárquica de madeira, que começou a ganhar contornos alarmantes a partir de 2014.

Com um ciclo vegetativo muito longo, que varia entre os 60 a 70 anos para atingir a fase adulta, a mítica árvore apresenta nas florestas do Cuando Cubango uma dispersão descontínua e pode atingir os 20 metros de altura. O fruto que produz é rico em proteínas e do seu caroço pode-se extrair o óleo que os Khoisan usam para temperar os alimentos.

Actualmente, pouco ou nada se sabe do número exacto de árvores que são derrubadas diariamente ou do que sobrou delas nas extensas florestas do Cuando Cubango. A população, com realce para os beneficiários primários, os Khoisan, teme pela sua sobrevivência, devido ao desaparecimento precoce de um dos alimentos mais apreciados pela comunidade.

Sabe-se que, em algumas ocasiões, os sobas da comunidade Khoisan apresentaram reclamações junto do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) e do Governo Provincial do Cuando Cubango, dando conta da invasão do seu habitat natural, por empresas de exploração de madeira e por madeireiros furtivos, mas as suas preocupações não foram tidas nem achadas.

Desde 2015, altura em que os chineses e vietnamitas entraram no mercado do Cuando Cubango, a exploração clandestina de madeira, sobretudo em zonas de difícil acesso, ganhou força e a fiscalização do Instituto de Desenvolvimento Florestal nada faz por alegada falta de meios.

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