Cuando Cubango regista 18 casos de suicídio nos últimos sete meses
Cuando Cubango regista 18 casos de suicídio nos últimos sete meses
Suicidio

Um total de 18 casos de suicídio foi registado na província do Cuando Cubango, de Janeiro a Julho deste ano, informou, na cidade de Menongue, o supervisor do Programa de Saúde Mental.

Segundo Fausto Augusto, os casos de suicídio registados, maioritariamente no sexo masculino (15), são de cidadãos com idades compreendidas entre 19 e 74 anos. A maior parte dos suicídios, acrescentou, ocorreu nos municípios de Menongue, Cuangar e Cuchi.

No ano anterior, explicou, o Programa de Saúde Mental registou 30 casos de suicídio, dos quais 21 no género masculino. As idades variaram entre 14 e 75 anos.

O Programa de Saúde Mental, tutelado pelo Gabinete Provincial da Saúde, desde a sua implementação na província do Cuando Cubango, em 2021, tem promovido campanhas de sensibilização, aconselhamento, palestras nas comunidades e programas radiofónicos, visando a diminuição dos casos de suicídio.

Fausto Augusto deu a conhecer que grande parte dos suicídios foi por enforcamento em residências, fundamentalmente de jovens do sexo masculino.

O mesmo explicou que os transtornos mentais, psicossociais, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, pressão social e familiar, a falta de oportunidades de trabalho, pobreza e conflitos nos relacionamentos são os principais factores motivacionais de suicídio de adultos, adolescentes e jovens.

O uso excessivo de substâncias psicoativas, referiu, pode desembocar num distúrbio ou perturbação mental, facto que muitas vezes tem feito com que várias pessoas optem pelo suicídio. “A redução do índice desses casos só será possível por meio de um trabalho árduo de sensibilização e palestras nas comunidades, com o apoio da sociedade”.

O supervisor do Programa de Saúde Mental disse ainda que os casos de depressão, isolamento social, a perda de interesse pelas relações interpessoais, baixa autoestima, desvalorização por parte dos outros e de si mesmo, principalmente, no seio juvenil, são factores frequentes que preocupam o sector, porque provocam desequilíbrios emocionais e psicológicos, o que faz com que muitas vezes cidadãos ponham fim a vida.

Por outro lado, salientou que a pressão da sociedade e das famílias, o imediatismo e o consumo de drogas podem criar transtornos mentais e a nível da província do Cuando Cubango não existem hospitais ou clínicas especializadas para cuidar e/ou tratar pessoas que apresentam distúrbios mentais. “Daí a chamada de atenção às famílias para ajudarem a ultrapassar estes problemas com diálogos constantes”.

Segundo Fausto Augusto, caso seja verificado algum sinal de transtorno comportamental de um indivíduo, os familiares ou pessoas mais próximas devem accionar o Programa de Saúde Mental para uma intervenção imediata de um psicólogo ou psiquiatra, para o devido acompanhamento.

O Programa de Saúde Mental, garantiu, tem gizado políticas para minimizar a situação, mas depara-se com várias dificuldades para realizar palestras nas comunidades mais longínquas, sobretudo por falta de meios de transporte, técnicos e financeiros.

Falta de profissionais

O sector tem apenas cinco psicólogos, número considerado ínfimo para atender cidadãos da província do Cuando Cubango com problemas mentais, sublinhou, acrescentando que o ideal seria 100 profissionais, entre psicólogos, assistentes sociais e psiquiatras.

Fausto Augusto defendeu o reforço de acções, como, por exemplo, um centro de acolhimento e tratamento, para que os cidadãos com problemas mentais deixem de deambular pelas ruas.

“Precisamos do apoio de várias instituições públicas e privadas, assim como de igrejas, porque a responsabilidade da saúde mental é de todos”, concluiu.

in JA

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