Cuanza Norte: 11 idosas violadas e assassinadas nas lavras – SIC e Polícia cruzam os braços
Cuanza Norte: 11 idosas violadas e assassinadas nas lavras – SIC e Polícia cruzam os braços
policia cuanza norte

A província do Cuanza Norte enfrenta um clima de pânico e indignação devido à ocorrência de crimes brutais contra idosas camponesas. Nos últimos meses, 11 mulheres foram violadas e assassinadas enquanto trabalhavam nas suas lavras, sobretudo nas periferias do município de Cazengo, gerando um forte apelo por justiça por parte da população local.

O caso mais recente ocorreu no dia 29 de Novembro, no bairro Tiro aos Pratos, quando Maria Caluanda, uma idosa de 67 anos, foi encontrada morta em circunstâncias semelhantes às vítimas anteriores: violentada sexualmente e estrangulada.

Segundo familiares, a idosa foi enterrada no dia 3 de Dezembro, mas no boletim de óbito, consta falsamente que a morte ocorreu em um hospital, uma situação que reforça as suspeitas de tentativa de encobrimento.

Os familiares das vítimas e membros da comunidade, ouvidos pelo Imparcial Press, acusam as autoridades locais, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) e a Polícia Nacional, de cumplicidade ou negligência no combate a este ciclo de crimes.

Moradores denunciam que as autoridades têm se empenhado mais em controlar a disseminação de informações do que em investigar e responsabilizar os culpados.

Até o momento, apenas um suspeito foi detido, mas agentes do SIC, sob anonimato, indicaram que ele poderá ser solto devido à falta de provas concretas, uma vez que os crimes continuaram, levantando dúvidas sobre o envolvimento de mais pessoas ou grupos organizados.

Na cidade de Ndalatando, capital do Cuanza Norte, o impacto destes crimes tem sido devastador. A comunidade, sobretudo a população idosa que depende do cultivo para a sobrevivência, vive em constante medo.

Muitos camponeses estão evitando ir às suas lavras, o que ameaça aumentar ainda mais o custo de vida na região, já considerado elevado. “A fome vai agravar-se ainda mais para os idosos, que dependem completamente do campo para se sustentarem”, alerta um morador local.

Os familiares das vítimas exigem que as autoridades expliquem quem está por trás destes crimes e denunciam o silêncio das instituições responsáveis pela segurança pública.

“Há mais de dois anos esses crimes acontecem, e até agora nenhuma solução foi apresentada. Queremos justiça”, clamam os familiares.

A filha de Maria Caluanda, última vítima identificada, desabafou: “Minha mãe foi estrangulada na lavra, e até no boletim de óbito mentiram, dizendo que ela morreu no hospital. Pedimos socorro, queremos que as pessoas certas tomem conhecimento e resolvam esse caso.”

A população de N’dalatando apela às autoridades nacionais para que assumam o caso e promovam uma solução imediata. Para os residentes, a pacata cidade está a ser abalada por crimes bárbaros que desafiam não apenas as autoridades locais, mas também a própria moral e segurança pública da província.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido