Cuanza Norte: Nível de desemprego e pobreza leva jovens a renunciar vida conjugal
Cuanza Norte: Nível de desemprego e pobreza leva jovens a renunciar vida conjugal
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Alto nível de desemprego e pobreza que se regista em toda a extensão da província do Cuanza-Norte, em pleno mês da paz, força, sem qualquer excepção de filiação político-religiosa, vários jovens a renunciar vida conjugal em alguns municípios da província.

Situação que já se encontra alegadamente sob alçada do actual governador e primeiro secretário do MPLA, João Diogo Gaspar, está a tirar sono e sossego de centenas de jovens que residem maioritariamente nos municípios de Samba-Caju, Bolongongo e Lucala.

À guisa de exemplo está o cidadão João Paulo Kindanda, de 30 anos, residente há anos no município de Samba-Caju, que ao falar em exclusivo para o Imparcial Press, nessa segunda-feira, 08, passado 96 horas do 4 de Abril, dia consagrado à celebração dos 22 anos de Paz efectiva, assumiu ter uma dose de fobia em constituir sua própria família por alegadamente haver naquela circunscrição municipal um alto nível de desemprego e pobreza.

“O desemprego e a pobreza são, dentre outros, senhor jornalista, dois dos principais males sociais que afectam directamente a nossa província, particularmente o município de Samba-Caju. Nesse município, infelizmente, o desemprego e a pobreza tornaram-se nos nossos principais eixos. Não há qualquer coisa de especial, razão pela qual muitos jovens fogem formar família. Eu, por exemplo, estou com 30 anos e sou formado, mas ainda assim receio constituir minha própria família por causa da falta de oportunidade. E não sou o único nessa condição. Às vezes, pergunto-me que sociedade queremos construir se os jovens não têm espaço de manobras? E aliás, comemorámos há quatro dias os ditos 22 anos de paz, mas que modelo de paz é essa”, questionou.

Situação similar é registada nos municípios adjacentes a esse, precisamente Lucala e Bolongongo, onde maior parte da juventude alega ter medo de constituir família por razões de falta de emprego e o constante aumento da pobreza que os assola quase que diariamente.

Jacarias António e Gaspar Kamuenho, ambos residentes no Lucala e estudantes do primeiro ano no curso de História, na Escola Superior Pedagógica, justificam igualmente terem medo formar família por causa dos fenómenos dos mesmos males sociais que arrasa a província, de modo geral, desde a época da independência.

“(…) apesar da idade, infelizmente as condições não nos são favoráveis. Vontade e prazer não nos falta, mas pensamos não ser uma boa ideia constituir família nessas condições. Nós, além de estudantes, não fazemos nada por falta de oportunidade e a idade está a ir embora, senhor jornalista. A família e a sociedade cobram, mas a mente rejeita. O que fazer? Nada, senhor jornalista! Não podemos insistir, para depois não sabermos o que dar aos filhos e às mulheres”, lamentaram

Bolongongo, um outro município que dista a quilómetros da cidade de Ndalatando, capital da também conhecida “cidade porcelana“, surgem gritos ligados aos mesmos problemas já descritos que, segundo João Kambôndua, de 32 anos, mesmo sem gravar entrevista, continuam a retardar sonho de muitos bons jovens que desde tenra idade sempre desejaram constituir famílias para a continuidade da reprodução humana, conforme descreve o livro de Gênesis no seu capítulo 2:24.

Um outro problema que deixa agastado aqueles cidadãos, segundo prosseguem, tem a ver alegadamente com o crescente índice de prostituição e do HIV SIDA que assola a província, principalmente os municípios do Cazengo, Ambaca, Lucala e Samba-Caju, que, além do desemprego e da pobreza que os intimida, contribui fortemente na atitude fóbica daquela juventude.

As administrações locais, incluindo o actual governador da província, segundo avançam, mais do que vender falsas esperanças e promessas, nada mais sabem fazer; pelo que apelam às autoridades competentes no sentido de inverterem o quadro o mais urgente possível.

O Imparcial Press ouviu, telefonicamente, a socióloga Marieth da Costa que considerou a situação bastante preocupante e, não obstante, apelou ao Estado, na pessoa do governador da província, a redobrar o esforço com o sentido de inverter o quadro social o mais urgente possível.

“(…) Ninguém pede para nascer e viver numa sociedade em conflito e/ou perturbação social. É importante que o Estado, na pessoa do governo provincial, crie mecanismos fortes para inverter o quadro social que caracteriza os referidos municípios. Alias, a missão de qualquer Estado, na Filosofia Política de Platão, consiste em proteger, preservar a segurança e realizar plenamente as necessidades da polis. O Estado não pode permitir que o cidadão viva em (na) turbulência permanente devido à onda de desemprego e pobreza”, apelou.

O Imparcial Press procurou contactar o responsável daquela circunscrição territorial do país, João Gaspar Diogo, mas sem qualquer sucesso. Procurou, na ocasião, ouvir o responsável da UNITA no mesmo perímetro, Francisco Falua, igualmente sem êxito.

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