
Com a entrada em vigor da nova divisão político-administrativa no dia 1 de Janeiro de 2025, a antiga província do Cuando Cubango foi desmembrada, dando origem às províncias do Cuando e do Cubango. Todas as comunas foram elevadas à categoria de municípios, aumentando a responsabilidade administrativa e política nas regiões.
No entanto, a implementação da reforma no Cubango está a ser marcada por controvérsias. O governador José Martins envergou-se em práticas de nepotismo.
Usando as prerrogativas e o poder que as leis lhe conferem, o governador nomeou familiares próximos para os cargos de administradores municipais, colocando a gestão daquela área administrativa nas mãos dos seus parentes.
Dos 11 municípios que compõem a província do Cubango, segundo apurou o Imparcial Press, nove são dirigidos por familiares do governador José Martins, o que constitui uma clara violação da Lei da Probidade Pública.
Os familiares do governador são:
Além disso, as administrações municipais de Savate e Calai foram atribuídas a Ana Paula Baptista e Adélia Muambeno Samuel, respectivamente.
Segundo informações, ambas têm ligações pessoais com figuras próximas ao governador: uma seria amante do director do gabinete do governador e a outra de um empresário local, Francisco Chicote.
A Lei da Probidade Pública proíbe expressamente nomeações que favoreçam familiares ou pessoas próximas, com o objetivo de garantir imparcialidade e meritocracia na administração pública.
Contudo, as decisões de José Martins levantam dúvidas sobre o cumprimento da lei e os critérios utilizados nas nomeações.
Estas práticas suscitam preocupações em torno da transparência e da ética na gestão pública, particularmente numa província recém-criada que deveria servir como modelo de boa governação no contexto da reforma administrativa em Angola.