Cubango regista mais de 300 casos de sarna e expõe falhas no saneamento básico
Cubango regista mais de 300 casos de sarna e expõe falhas no saneamento básico
Sarnas

Mais de 300 casos de sarna foram registados no município do Tchinguandja, província do Cubango, durante o primeiro semestre de 2025, revelando uma preocupante combinação entre falhas no saneamento básico e a fragilidade do sistema de saúde local.

A informação foi avançada pela directora municipal da Saúde, Manuela Manuel, que garantiu que, apesar do número elevado de infecções, não houve registo de mortes.

No entanto, a responsável não apresentou qualquer comparativo com períodos anteriores, o que dificulta a compreensão da real evolução do surto.

O dado mais alarmante é que a maioria dos infectados são crianças com menos de 12 anos, um grupo particularmente vulnerável e que reflecte o impacto directo da falta de acesso a água potável e higiene adequada.

A responsável reconheceu que o surto está a ser agravado pelo uso contínuo de água imprópria pela população local, um problema estrutural que vai além da saúde e aponta para deficiências graves em políticas públicas de abastecimento e saneamento.

A direcção do hospital informou que tem promovido campanhas de sensibilização sobre o tratamento da água, bem como a distribuição limitada de medicamentos. No entanto, essas medidas têm-se revelado insuficientes face à extensão do problema e à incapacidade de resposta da estrutura hospitalar local.

Para tentar conter a situação, o governador do Cubango, José Martins, reforçou a unidade hospitalar com kits de medicamentos destinados ao combate de doenças comuns na região, como malária, febre tifóide, doenças diarreicas agudas e respiratórias.

A iniciativa é positiva, mas parece repetir um padrão reativo, em vez de atacar a raiz do problema: a falta de água potável, saneamento básico e infra-estrutura hospitalar condigna.

A gravidade da situação torna-se ainda mais evidente ao saber-se que o município conta apenas com uma unidade hospitalar, equipada com apenas 11 camas para internamento e quatro técnicos para servir toda a população local.

Tal cenário levanta sérias questões sobre a capacidade real do sistema de saúde em lidar com surtos epidémicos, como a cólera, por exemplo, ou garantir atendimento básico contínuo.

Apesar dos apelos do governador à humanização do atendimento e ao empenho dos profissionais de saúde, a precariedade das condições de trabalho, a escassez de recursos e a pressão crescente da população colocam em xeque qualquer esforço isolado.

Sem um plano de acção consistente e investimento sério em infra-estruturas essenciais, a situação tende não só a repetir-se, como a agravar-se nos próximos meses.

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