Declaração sobre os acontecimentos em Benguela e Luanda
Declaração sobre os acontecimentos em Benguela e Luanda
Pad

A Platform for African Democrats (Plataforma para Democratas Africanos) – um fórum de líderes africanos comprometidos com a democracia e a responsabilização – realizou a sua terceira reunião anual em Angola no dia 14 de março de 2025, apesar dos esforços do regime angolano para impedir o evento.

Reconhecendo a importância central da democracia para a melhoria da governação em África, a PAD foi criada em 2023 como um espaço para fortalecer o desempenho dos partidos políticos africanos através da partilha de experiências e da identificação das melhores práticas eleitorais e partidárias.

A escolha de Angola como local para o evento deve-se ao facto de o país ocupar atualmente a presidência da União Africana.

No mesmo fim de semana, a União Africana realizou a sua cimeira em Adis Abeba para a transferência de liderança para o Presidente João Lourenço. Importa referir que o tema da UA para o próximo ano é “Justiça para os Africanos e Pessoas de Ascendência Africana através de Reparações”.

O evento de Benguela, intitulado “O Futuro da Democracia em África”, pretendia dar continuidade a cimeiras anteriores da PAD realizadas em Gdansk, Polónia, e na Cidade do Cabo, África do Sul, onde foram debatidas formas de promover maior transparência e responsabilização democrática face ao crescimento do autoritarismo.

A PAD é apoiada por um consórcio internacional de democratas, incluindo a Brenthurst Foundation e o World Liberty Congress. O evento em Benguela contava com a presença de vários antigos chefes de Estado e dignitários, membros de governos e líderes da sociedade civil e de partidos da oposição.

Entre os convidados que viajaram para Angola estavam:

  • Ian Khama, ex-Presidente do Botswana
  • Moeketsi Majoro, ex-Primeiro-Ministro do Lesoto
  • Andrés Pastrana Arango, ex-Presidente da Colômbia
  • Othman Shariff, Primeiro Vice-Presidente de Zanzibar

Resposta do regime angolano ao encontro:

Vários delegados foram recusados vistos por “razões técnicas”, incluindo participantes do Uganda.

    Doze delegados – que possuíam visto ou estavam elegíveis para visto à chegada – foram detidos no aeroporto e deportados sem poderem entrar no país, incluindo convidados do Quénia, Etiópia, Uganda, Tanzânia, Moçambique e Sudão do Sul.

      – Outro grupo, incluindo os ex-Presidentes Ian Khama e Andrés Pastrana, o ex-Primeiro-Ministro Moeketsi Majoro e o Vice-Presidente Othman Shariff, foi detido no aeroporto durante nove horas sem explicações. Os seus passaportes foram devolvidos quando já era tarde demais para embarcarem no voo para Benguela.

        • O governo prometeu providenciar transporte para Benguela no dia seguinte, mas vários veículos “avariaram” a caminho do aeroporto, foram fornecidos diferentes destinos e, no final, nenhuma aeronave foi disponibilizada.

          Estes acontecimentos evidenciam uma campanha sistemática e cínica para minar o progresso da democracia e da responsabilização em África por parte de um regime que se apresenta falsamente como democrático. Em momento algum as autoridades angolanas forneceram explicações às pessoas detidas ou deportadas.

          A verdadeira natureza do regime angolano ficou exposta. O governo não hesitou em humilhar e constranger antigos líderes africanos e aqueles que pretendiam debater a democracia, numa tentativa desesperada de travar o avanço de sociedades centradas no povo em África.

          Através dos seus serviços de segurança e imigração, o Presidente João Lourenço demonstrou uma clara intolerância até mesmo à mera discussão de ideias sobre democracia por africanos que trabalham para um futuro mais próspero e inclusivo no continente.

          Nós, os signatários e participantes da reunião de Benguela, condenamos estes atos nos termos mais fortes possíveis. Exigimos que o Presidente Lourenço emita um pedido público de desculpas aos antigos chefes de Estado que foram detidos, aos delegados que foram deportados e a todos os que foram assediados pelas ações do seu governo para impedir a realização do evento.

          No entanto, estas tentativas de intimidação tiveram o efeito oposto ao pretendido pelo regime angolano.

          Os democratas africanos saem deste episódio mais fortes e unidos, em solidariedade com democratas de todo o mundo. Os eventos de Luanda e Benguela demonstram como as chamadas “democracias autoritárias” abusam sistematicamente das suas instituições para manter o poder, prejudicando o seu próprio povo enquanto fingem respeitar os princípios democráticos.

          A luta pela democracia, transparência e responsabilização nunca foi tão urgente. Os que resistem à mudança representam um entrave ao futuro de África e uma vergonha para os verdadeiros democratas. Este momento exige uma renovada determinação, ação e unidade entre os defensores da democracia. Não há solidariedade maior do que aquela forjada sob pressão.

          A luta pela democracia em Angola é a luta pela democracia em toda a África – e no mundo.

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