
O país tem assistido, há muito tempo, a uma prática desenfreada de contrabando de todo o tipo, envolvendo desde drogas e combustíveis até metais preciosos.
Este cenário agravou-se com as denúncias públicas feitas por “MAN GENAS”, que expuseram um esquema de exportação ilegal de combustíveis, adicionando mais “combustível” à chama já acesa dos lucros fáceis e da falta de integridade.
As acusações atingem directamente uma figura que tutelava órgãos importantes do Ministério do Interior (MININT).
O apetite insaciável pelo dinheiro deste indivíduo assemelha-se ao da abelha pelo mel: voraz e sem limites. Trata-se de um verdadeiro arrastão de grandes proporções, com operações constantes no eixo Norte-Leste, envolvendo diretamente o Governo do Cuanza-Norte, que obedecia a ordens dos filhos do “todo-poderoso” da máfia em Angola.
Esta rede ilegal alimentava não só o contrabando para a República Democrática do Congo (RDC), como também organizações terroristas, incluindo o M23 e outros grupos negativos nos Grandes Lagos.
O referido indivíduo, conhecido pelo epíteto de “logístico” das organizações terroristas na região do Golfo da Guiné e dos Grandes Lagos, é hoje identificado como um dos principais responsáveis por estas práticas criminosas.
A sua demissão como Ministro do Interior não foi um mero acaso, mas sim uma medida estratégica para evitar que os órgãos investigativos apurassem a verdade sobre as suas acções.
O ex-Comandante-Geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, ao afirmar publicamente que o ex-ministro “não era uma pessoa de boa fé”, expressou uma preocupação profunda com o que testemunhava nos bastidores.
A ligação entre o contrabando e membros do Comité Central (CC) é incompatível com as responsabilidades associadas às suas funções. Existe um risco real de que estas práticas criminosas contaminem outros membros do CC, fortalecendo redes de corrupção e ilegalidade.
O fenómeno do contrabando: um problema estrutural
O contrabando em Angola tem rostos conhecidos, e a sua persistência não pode ser ignorada. Não basta denunciá-los publicamente; é imperativo adotar medidas punitivas concretas.
Estas acções ilícitas contribuíram diretamente para o empobrecimento do povo angolano e para a degradação das nossas instituições.
Em Malanje, por exemplo, onde o epicentro destas práticas atingiu níveis extremos, filhos de camponeses foram coagidos a pagar valores para conseguir vagas no MININT. Há relatos de revolta e pedidos de devolução dos montantes pagos.
O cabecilha foi obrigado a deslocar-se urgentemente à região, adotando uma postura de “bombeiro”, levando consigo valores monetários para tentar silenciar os revoltados.
Responsabilidade é imperativa
O cenário actual demonstra que não podemos continuar a vitimizar-nos. É necessário enfrentar o problema de frente. Para proteger o povo angolano, devemos oferecer oportunidades lícitas, promover negócios transparentes e afastar os nossos familiares e colaboradores de práticas corruptas.
As denúncias feitas durante o discurso sobre o Estado da Nação não podem ser ignoradas. Chegou a hora de responsabilizar todos os envolvidos, independentemente dos seus cargos ou conexões políticas.
Estas práticas não só prejudicaram o povo angolano, como desonraram as instituições públicas e mancharam a imagem do país.
Um apelo ao Presidente da República e Comandante-em-Chefe
Caro Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, este é o momento de agir. Não podemos permitir que o contrabando continue a ser o “negócio preferido” de pessoas que juraram servir a pátria. O povo angolano exige justiça e transparência.
Nota: O texto denuncia diretamente o senhor César Laborinho, ex-ministro do MININT, e os seus supostos comparsas, exigindo a apuração dos factos e a responsabilização dos envolvidos.