
A cerimónia de condecorações presidida por João Lourenço, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, ganhou um novo contorno político após a recusa pública do deputado da UNITA, Joaquim Nafoia, em aceitar a medalha atribuída pelo Chefe de Estado na categoria “Paz e Desenvolvimento”.
Numa carta aberta dirigida esta segunda-feira, 18, ao Presidente da República, o parlamentar afirma que a distinção constitui uma afronta à sua inteligência e “à integridade ético-moral do povo que representa” na Assembleia Nacional.
Na missiva, tornada pública, Joaquim Nafoia acusa directamente João Lourenço de ter ordenado massacres contra civis angolanos em diferentes ocasiões, incluindo a repressão da última greve dos taxistas, que resultou na morte de mais de 40 pessoas.
O subscritor recordou ainda o episódio de Cafunfo, ocorrido em Janeiro de 2021, onde forças de segurança abriram fogo contra manifestantes Lundas.
“Rejeito categoricamente receber a medalha das mãos de um Presidente da República com as mãos manchadas com a tinta de sangue”, escreveu.
Nafoia acusa ainda o regime de transformar as Lundas em “campo de concentração”, onde a população vive sob violência, exploração e repressão, denunciando igualmente corrupção, prisões arbitrárias, assassinatos selectivos, raptos e torturas de cidadãos que ousam manifestar-se contra o governo.
Na qualidade de dirigente da UNITA, o deputado recusou também qualquer gesto de aproximação por parte de João Lourenço, acusando-o de comandar ataques à honra e à memória do fundador do partido, Jonas Savimbi, e de perseguir politicamente o actual presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior.
Numa passagem dura da carta, Joaquim Nafoia vai mais longe ao afirmar que não aceita ser envolvido “num mix de feiticeiros, assassinos, corruptos, mentirosos, intriguistas e bajuladores”.
Para o parlamentar, “a dignidade e a honra não têm preço” e devem prevalecer acima de qualquer distinção.