Desaparecimento de 43 milhões de kwanzas abala Igreja Profética Vencedora do Mundo
Desaparecimento de 43 milhões de kwanzas abala Igreja Profética Vencedora do Mundo
IPVM

A Igreja Profética Vencedora do Mundo (IPVM) enfrenta um escândalo financeiro após a descoberta do desaparecimento de 43 milhões de kwanzas, montante que deveria ser destinado ao tratamento médico do seu líder, Jorge Lino Cambundo, conhecido como Dr. Juiz Profeta Enoque.

O valor, proveniente das contribuições dos fiéis de várias províncias, foi arrecadado para custear a viagem e as despesas médicas do líder religioso em Cuba, onde realizaria um tratamento especializado em fisioterapia.

No entanto, segundo o jornal Pungo a Ndongo, quando a família de Cambundo preparava a sua deslocação, constatou que, dos 49 milhões de kwanzas inicialmente depositados nos cofres da igreja, restavam apenas seis milhões.

Segundo fontes ligadas à IPVM, o chefe das finanças da instituição, identificado como Faria, alegou ter utilizado a verba na obtenção de vistos, explicação que não convenceu os familiares do líder, gerando um ambiente de tensão interna.

Luta pelo poder e acusações de conspiração

O caso ganha contornos ainda mais graves com o envolvimento de José Lino Quiteculo, conselheiro da IPVM, que, segundo fontes internas, estaria por trás de uma série de manobras para desestabilizar Morais António, filho do líder, que se opõe aos alegados desvios financeiros dentro da igreja.

Quiteculo apresentou uma queixa contra Morais António junto da Inspecção do Ministério do Interior, alegando que este e o jornalista Armando Chicoca teriam mobilizado 300 mototaxistas na província do Namibe para o assassinar.

A denúncia, que já recebeu um despacho das autoridades, menciona ainda um suposto plano semelhante na província do Moxico, onde Morais António e Chicoca teriam organizado 30 mototaxistas para atentar contra a vida do conselheiro.

Perante tais acusações, Morais António, que também é jurista e quadro do Ministério do Interior, reagiu prontamente e formalizou uma queixa-crime contra José Lino Quiteculo em Luanda, tendo Armando Chicoca como declarante.

Por sua vez, o jornalista Armando Chicoca também apresentou uma queixa contra Joel Pedro e seus filhos, num processo onde Morais António será testemunha.

O clima de tensão dentro da IPVM continua a escalar, com fiéis divididos entre acusações de corrupção, disputas internas pelo poder e suspeitas de instrumentalização de entidades do Estado para perseguições políticas e religiosas.

Entretanto, o desaparecimento dos 43 milhões de kwanzas ainda não teve um esclarecimento oficial por parte da liderança da igreja.

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