
A Polícia Judiciária Militar (PJM) deteve na passada quarta-feira, 28 de Agosto, em Luanda, o jovem Francisco Rodrigues Maneira, vulgarmente conhecido por “Chiquinho”, de 33 anos, por se fazer passar por coronel da Força Aérea Nacional (FAN), um dos ramos das Forças Armadas Angolanas (FAA).
A sua detenção ocorreu num apartamento na centralidade Vida Pacífica, no distrito urbano do Zango, município de Viana, quando se preparava, mais uma vez, para entreter os internautas angolanos nas redes sociais.
O falso coronel, que se apresentava falsamente como piloto aviador da FAN, enfrenta agora acusações de falsa qualidade e uso indevido de equipamento militar, nomeadamente fardas e armamento.
O caso ganhou ampla visibilidade nas redes sociais, onde Chiquinho ostentava, de forma descarada, a patente de coronel, partilhando imagens e vídeos que se tornaram virais, como constatou o Imparcial Press.
Inicialmente, muitos utilizadores acreditaram na veracidade das suas alegações, com especulações a surgirem sobre a possibilidade de ele ser filho de um alto dirigente do governo.
As imagens e vídeos partilhados pelo próprio detido, que agora vai servir de provas materiais no processo, revelam a audácia com que Chiquinho se apresentava, exibindo insígnias de coronel na maior normalidade.
A origem das suas fardas, distintivos e armas levanta sérias questões, mas o porta-voz da FAN, brigadeiro José de Morais Canamua, afirmou que estes materiais foram provavelmente adquiridos no mercado negro, um recurso comum entre criminosos.
O brigadeiro Canamua confirmou categoricamente que Chiquinho nunca integrou as fileiras da FAN e que o seu nome não consta em qualquer base de dados militar.
“Após análise dos factos, não há registo deste indivíduo em qualquer instituição de ensino militar, seja de nível superior ou técnico, na FAN”, assegurou.
Com a detenção do “coronel” Chiquinho, a FAN procura restaurar a sua imagem pública, prejudicada por este incidente. O brigadeiro Canamua frisou que Chiquinho é “um impostor” que utilizou indevidamente símbolos e insígnias militares, causando sérios danos à reputação da FAN.
“A FAN é uma instituição que merece respeito, e este indivíduo já está a ser responsabilizado judicialmente. Em breve, será entregue às autoridades competentes para que sejam apurados todos os detalhes do caso”, acrescentou o porta-voz.
O brigadeiro destacou ainda a importância de preservar a imagem e o bom nome das Forças Armadas, sublinhando que a instituição permanece firme nos seus propósitos de defender a soberania nacional.
“Este indivíduo nunca esteve nas nossas unidades militares. Provavelmente, tenha ligações com outros indivíduos dentro da instituição, mas isso será alvo de investigação”, explicou.
Comentando a impossibilidade de alguém ser coronel aos 33 anos nas FAA, o brigadeiro explicou o rigoroso processo de progressão nas fileiras. Desde a entrada na academia militar até à promoção a coronel, são necessários muitos anos de serviço e o cumprimento rigoroso das normas e regulamentos militares.
“Ser coronel aos 32 anos é impensável e desrespeita todos os que construíram as suas carreiras de forma legítima”, concluiu.