
O responsável da igreja “Ministério da Profecia e Cura em Angola”, que responde pelo nome de João Paulo, foi detido ontem, quinta-feira, 29, em Cabinda, juntamente com outros membros daquela denominação religiosa, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), sob acusação de vários crimes.
Segundo uma nota do SIC enviada à redacção do Imparcial Press, o suposto profeta João Paulo vai responder por prática de crimes de “ameaças”, “coação moral”, “tentativa de extorsão”, “falsas promessas”, “burla qualificada”, “abuso sexual a menores e adultas”, “desestruturação de lares”, “incitação à violência” e “chantagem”.
De acordo com o documento, a detenção do profeta da seita religiosa “Ministério da Profecia e Cura em Angola” e mais 8 elementos de segurança privada e duas mensageiras, resulta de uma denúncia dos próprios seguidores.
O profeta, lê-se na nota, aproveitando-se das fragilidades dos crentes apoderava-se dos bens destes, tais como casas, recebimento indevido de avultadas somas em dinheiro, como meio de pagamento do tratamento ou para libertar espírito maligno.
Em 2020, o cidadão que se autodenomina de profeta publicou na rede social Facebook, uma mensagem de incitação a violência contra as instituições do Estado e os seus dirigentes. Numa das mensagens, João Paulo escreveu o seguinte: “MPLA, podem me mandar prender! Vou libertar a província de Cabinda. Para o vosso conhecimento, Cabinda não é Angola.”
Mangovo Nkonde, um dos seus colaboradores directos e de confiança, revelou que durante o tempo que congregaram na seita vinha notando que o profeta tinha uma conduta estranha, envolvendo-se sexualmente com crentes, que viviam sob ameaças de morte, chantagem e burla.
Na longa lista das vítimas constam empresários, comerciantes, trabalhadores do campo petrolífero de Malongo, membros da Polícia Nacional e das Forças Armadas Angolana e outras individualidades.
Na operação dirigida pelo SIC, foram apreendidos 891 mil kwanzas, 451 dólares norte-americanos, 175 rands (moeda sul-africana), para além de três viaturas, nove telemóveis, cinco rádios de comunicação, quatro cartões multicaixa, um passaporte, um computador e uma réplica da chave simbólica com nome da cidade de Cabinda entre outros materiais.
Cumpridas as formalidades legais, os referidos cidadãos foram presentes ao titular da acção penal, junto ao SIC, para responsabilização criminal pelos actos cometidos.