Detidos 9 efectivos do SIC por assalto e sequestro de uma “kinguila” em Luanda
Detidos 9 efectivos do SIC por assalto e sequestro de uma "kinguila" em Luanda
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Um grupo constituído por nove agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) foram detidos esta semana, em Luanda, por se apropriar indevidamente de valores monetários de uma cidadã estrangeira que reside em Angola durante uma operação irregular.

O incidente ocorreu no dia 6 de Dezembro, na residência de Natalia Poaty, cidadã congolesa de 34 anos, localizada no bairro do Catambor, distrito urbano da Maianga, que é kinguila.

Segundo a denúncia apresentada pela vítima, os agentes, utilizando uma viatura oficial do SIC e devidamente uniformizados, invadiram a sua casa por volta das 23h, sob o pretexto de uma operação policial.

Durante a incursão, subtraíram 5.000.000 de kwanzas e 3.100 dólares norte-americanos, que estavam escondidos na residência. Infelizmente, a direcção do SIC alega que os seus efectivos roubaram apenas 1.995.000. kwanzas.

No entanto, o SIC confirmou a irregularidade, declarando que os seus efectivos não cumpriram os procedimentos formais exigidos para a operação. Após investigações internas, foi apurado que os valores roubados foram repartidos entre os agentes “gatunos” envolvidos.

Além do roubo, Natalia Poaty relatou que foi sequestrada pelos agentes, que a forçaram a entrar na viatura e a ameaçaram de morte caso revelasse o ocorrido.

Apesar das intimidações, a vítima conseguiu escapar e denunciou o caso às autoridades, o que resultou na detenção dos implicados.

Entre os detidos estão: José Vunge, responsável pelo SIC no distrito da Samba; Jorge Epalanga, chefe da brigada do Morro Bento; Leonel da Costa “Zelele”, chefe das linhas operativas; Dionísio Fernandes “Boneco”, chefe da brigada do Morro Bento; e Amaro Muxinda “Dazuma”.

Os agentes foram apresentados ao Ministério Público para responderem pelos actos e serão submetidos aos trâmites legais.

O SIC reiterou o compromisso de continuar a investigar o caso e de aplicar punições rigorosas a quaisquer condutas que prejudiquem a imagem da instituição ou violem os direitos dos cidadãos.

O caso reacende preocupações sobre abusos de poder dentro do SIC e a eficácia dos mecanismos de supervisão e controlo desta instituição, sob alçada do Ministério do Interior.

Organizações da sociedade civil e especialistas em direitos humanos pedem uma responsabilização exemplar para restaurar a confiança da população nas forças de segurança.

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