
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) anunciou a detenção de dois efectivos da Direcção de Combate aos Crimes Económicos e Contra Saúde Pública por falsificação de documentos oficiais, incluindo a assinatura do comissário de investigação criminal Vidal João Sermão, responsável nacional da área.
A detenção ocorreu no passado sábado, 28 de Dezembro de 2024, no âmbito da estratégia de pureza interna do órgão, após denúncia sobre irregularidades.
De acordo com um comunicado do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do SIC, a que o Imparcial Press teve acesso, os efectivos detidos realizaram uma inspecção não autorizada a um estabelecimento comercial no município de Cacuaco, utilizando uma ordem de missão falsificada.
As investigações revelaram que, além de forjar a assinatura do comissário Vidal João Sermão, os detidos incluíram nomes de indivíduos alheios à Direcção onde estão colocados.
Perante a gravidade dos factos, os efectivos receberam ordem de detenção imediata e foram apresentados ao Ministério Público para os procedimentos legais subsequentes.
Paralelamente, foi instaurado um processo disciplinar para apurar responsabilidades, que poderá resultar em sanções severas, incluindo a expulsão do SIC.
No comunicado, o superintendente-chefe de investigação criminal e director do SIC, Manuel Halaiwa, reiterou a importância de uma conduta exemplar por parte dos efectivos e sublinhou que o respeito pelos direitos e liberdades dos cidadãos é um princípio fundamental da actuação do órgão.
Halaiwa apelou ainda à população para que continue a denunciar actos ilícitos, assegurando que todas as denúncias serão tratadas com rigor.
O SIC enfrenta ainda outra situação de má conduta envolvendo nove dos seus agentes, detidos recentemente em Luanda por se apropriarem indevidamente de valores monetários pertencentes a uma cidadã estrangeira.
O incidente ocorreu a 6 de Dezembro, na residência de Natalia Poaty, cidadã congolesa de 34 anos, localizada no bairro do Catambor, no distrito urbano da Maianga.
Segundo a denúncia apresentada pela vítima, os agentes, utilizando uma viatura oficial do SIC e devidamente uniformizados, invadiram a sua residência por volta das 23h sob o pretexto de uma operação policial.
Durante a incursão, subtraíram 5.000.000 de kwanzas e 3.100 dólares norte-americanos que estavam guardados na casa.
Em comunicado, a direcção do SIC reconheceu o roubo, mas declarou que os efectivos roubaram apenas 1.995.000 kwanzas, levantando dúvidas sobre a real dimensão do crime.
Estes incidentes recentes colocam em evidência desafios na supervisão e integridade de alguns membros do SIC, ao mesmo tempo que reforçam a necessidade de medidas internas mais rigorosas para garantir a confiança do público na instituição.