
O paradigma digital é bem vindo. A internet nos proporciona fazer pesquisas para fins académicos, diversão, liberdade de expressão, libertinagem, e facilita a comunicação. Para além disso, ele também vem acompanhada com vários serviços comerciais.
Entre eles o e-Commerce (comércio electrónico), markeplace (espaço de publicidade), entre outros… Mas são estes dois mais usados a nível do mundo. Que acabam sendo uma condição sine qua non, para quem opera no digital.
Para a questão do comércio electrónico, não há muito que se fazer, sabemos que o nosso país não produz certos produtos, sejam eles alimentares, electrónicos, vestuários e por aí a fora…
Quanto à questão do markeplace (espaço de publicidade), que actualmente é um serviço prestado pelas plataformas internacionais na categoria macro, pode-se fazer alguma coisa, para não ser mais um serviço que irá inflacionar o mercado, asfixiar a banca, e alterar toda vida económica e social dos consumidores.
Para além do consumo, temos que começar a produzir estes serviços localmente em todas as categorias, de modos a complementar a cadeia do ecossistema deste serviço.
Actualmente todos os utilizadores de internet recorrem ao ecossistema digital internacional para usufruírem destes serviços na categoria macro. Para o uso normal, acaba sendo um consumo de dados. Mas para o uso comercial, acaba sendo um consumo de divisas, que é feito através de um cartão visa.
Pois, em Angola não temos plataformas conhecidas na categoria macro. Conclusão: é mais um serviço pago em divisas, no leque de serviços que asfixiam a banca e geram inflação. Por sua vez, a inflação altera toda a vida económica e social do nosso país.
A aceleração digital, que acaba sendo uma mais-valia no contexto actual, traz também consigo, o aumento do consumo em massa deste serviço. Infelizmente, o país não dispõe de uma plataforma digital markeplace angolana na categoria macro.
Está situação aumenta o fluxo de pagamento neste serviço. Que, como disse, pelo facto dele ser prestado pelas plataformas internacionais na categoria macro, irá asfixiar a banca, e gerará inflação.
Recentemente tivemos um aumento nos preços das telecomunicações no nosso país, em que as razões da subida de preços foram devido a compra de serviços que são pagos em divisas.
O que é certo é que Sua Excelência Ministro das Telecomunicações Tecnologia de Informação e Comunicação Social, tem conhecimento do assunto, mas mostra-se indiferente em apoiar a solução.
Chegamos a está conclusão, Isso por conta das várias respostas que tivemos, das cartas enviadas a aquele ministério, com os seguintes assuntos: Apoio institucional para o reforço do ecossistema digital Angolano, Proteção da fonte de receitas do Estado (Impostos), alternativa de preços e pagamentos em kwanza no serviço digital, e inclusão digital comercial, isso para quem não possui um cartão visa e queira usufruir deste serviço de forma abrangente.
Mesmo estando expresso no Plano de Desenvolvimento Nacional, no capítulo das políticas de comunicação e aceleração digital (na pág. 112) ainda assim o Sr. Ministro mostrou-se indiferente.
Dentre as coisas que estão a ser cumpridas neste mesmo plano, são somente a expansão do sinal da internet, infraestruturas, e equipamentos. Deixando de lado as plataformas que são a razão do uso destes serviços.
A questão da competitividade, receita fiscal e emprego, expressas neste plano, estão em causa, porque a competitividade passaria na criação de plataformas na categoria macro, mas não apenas nas infraestruturas, equipamentos e expansão do sinal da internet, mas, sim, criar um ambiente de consumo deste serviço.
Uma vez que o acesso a internet, equipamentos e infraestruturas são apenas as condições criadas para os utilizadores usarem os aplicativos e websites, onde a magia acontece.
Não há no nosso país nenhum aplicativo ou website angolano de uso corrente, conhecido por pelo menos dois milhões de angolanos, dentro dos mais de 11 milhões de utilizadores de internet que Angola oferece.
Por está razão, quando há inauguração da expansão do sinal da internet e criação de infraestruturas digital, exibimos as plataformas internacionais sem sede nem filial no nosso país, que não pagam nenhum tipo de impostos ao Estado angolano, pelas receitas diárias arrecadas em espaço angolano; ao invés de um website ou aplicativo angolano.
Acelerar o consumo de um serviço que não prestamos na categoria macro, em que o pagamento ao mesmo é feito única e exclusivamente em divisas, através de um cartão visa, é sobretudo asfixiar a banca, criar exclusão digital comercial em massa, que inflacionará o mercado, e alterará toda a vida económica e social do nosso país, como tem acontecido com outros produtos e serviços pagos em divisas.
Enquanto os números dos utilizadores de internet não são muito altos, e poucas pessoas usam as ferramentas digitais para fins comerciais, é altura de se pensar fazer um alinhamento equilibrado ao Plano de Desenvolvimento Nacional.
Os aplicativos e websites na categoria macro, são indispensáveis para Angola competir de facto, e não ser apenas consumidora.
Pedimos também a quem de direito que se fiscalize a execução do Plano de Desenvolvimento Nacional. Pois há coisas que estão a ser feitas, que poderá gerar um desequilíbrio, e nos custará caro a curto, médio e longo prazo.