
O CEO da Refriango, Diogo Caldas, estará a enfrentar fortes pressões nos bastidores para aceitar o regresso de Maria Manuela Resende da Costa Pardal à empresa, poucas semanas depois de ter sido afastada do Conselho de Administração da TAAG – Linhas Aéreas de Angola, em Fevereiro deste ano.
Segundo fontes do Imparcial Press, sectores com influência política estariam a tentar viabilizar o regresso de Maria Pardal à companhia de bebidas, onde já desempenhou funções como directora executiva da Cadeia de Abastecimento, antes de integrar a administração da transportadora aérea nacional.
A eventual reintegração da gestora, porém, está a gerar forte contestação entre trabalhadores e quadros da empresa, que recordam o historial de polémicas associadas à sua passagem por diferentes organizações, incluindo denúncias internas relacionadas com alegadas práticas de gestão consideradas danosas.
Maria Pardal deixou recentemente o cargo de administradora executiva para a área de Infra-estruturas, Cadeia de Suprimentos e Serviços da TAAG, numa decisão justificada pelo Ministério dos Transportes como parte de um processo de reforço da governação e de implementação do plano estratégico da companhia.
Contudo, fontes ligadas ao processo indicam que a saída ocorreu num contexto de forte disputa interna no topo da empresa, marcada por divergências de gestão e reconfiguração de alianças dentro do Conselho de Administração.
No centro desse processo terá estado também a influência do actual administrador executivo para a área Comercial da TAAG, Jaime Miguel Ferreira Carneiro, apontado como figura próxima do ministro dos Transportes.
Durante a sua passagem pela transportadora aérea, Maria Pardal foi alvo de críticas de vários quadros da companhia, que a acusavam de promover um clima interno marcado por pressões e processos disciplinares considerados selectivos.
Um dos episódios mais citados internamente foi o afastamento do então director de Sistemas e Tecnologias de Informação, Nilson Vieira, exonerado após um processo disciplinar que gerou controvérsia dentro da estrutura da empresa.
Agora, a possibilidade de Maria Pardal regressar à Refriango surge num momento de grande sensibilidade dentro da empresa, alimentando receios entre trabalhadores de que decisões empresariais estejam a ser condicionadas por interesses externos.
Fontes ouvidas pelo Imparcial Press afirmam que a pressão exercida sobre a administração liderada por Diogo Caldas está a criar um ambiente de desconforto interno, numa altura em que a empresa procura consolidar a sua posição num mercado cada vez mais competitivo.
A Refriango integra o Nuvi Group, conglomerado do empresário português Luís Manuel Vicente, presente em Angola desde a década de 1990.
A empresa é actualmente uma das maiores produtoras de bebidas do país, tendo investido mais de 600 milhões de euros em Angola e empregando cerca de 7.000 trabalhadores, entre nacionais e expatriados.
Os seus produtos são também exportados para vários mercados da região, incluindo República Democrática do Congo, Namíbia, África do Sul, Guiné-Conacri, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.
Apesar da dimensão e da importância económica do grupo, o eventual regresso de uma gestora que deixou recentemente a administração da TAAG sob forte controvérsia ameaça abrir um novo foco de tensão dentro da empresa, num processo que muitos trabalhadores já classificam como mais um exemplo da crescente interferência política na gestão de grandes organizações em Angola.