Directora do hospital Psiquiátrico de Luanda acusada de nepotismo e corrupção
Directora do hospital Psiquiátrico de Luanda acusada de nepotismo e corrupção
HPL

Antónia Mendes Ferreira da Costa Sousa, directora geral do Hospital Psiquiátrico de Luanda, há 26 anos, está a ser acusada pelos funcionários de estar a promover o nepotismo e corrupção na instituição, para além de outros males.

Nos últimos tempos, tem estado a reagir à quente às críticas que recebe. Nisso tudo, quem sofre são os pacientes que morrem de fome.

A unidade hospitalar especializada já teve momentos áureos, mas nos últimos anos transformou-se numa “pequena monarquia”, onde, para além da directora, os filhos, noras e netos encontraram o emprego.

De acordo com denúncias dos trabalhadores, o bloco masculino é um “corredor da morte por fome e falta de medicamentos”. A nudez completa o cenário repugnante. Os internamentos estão aquém dos critérios aceites e chegam a ser compulsivos.

Nesta segunda-feira, 25, o Na Mira do Crime enviou uma equipa a referida unidade hospitalar, para aferir a veracidade da denúncia, proveniente daquela instituição localizada na avenida Amílcar Cabral, município de Luanda.

O primeiro dado que vem expresso na carta denúncia anónima elaborada por enfermeiros do Hospital que acusam Antónia Mendes Ferreira da Costa Sousa, directora geral de corrupta, nepotista e má gestora, atesta que os pacientes do bloco masculino chegam a morrer de fome e de falta de medicamentos.

Os enfermeiros dizem que tomaram a iniciativa de elaborar a carta para que o cenário que ocorreu recentemente no Hospital Américo Boavida, com a morte de um jovem por falta de assistência, não se perpetue também no Psiquiátrico.

Dizem que o Hospital Psiquiátrico de Luanda recebe, mensalmente, 50 milhões de kwanzas para, entre outras finalidades, adquirir medicamentos. Mesmo assim, dizem, o Hospital nunca tem medicamentos; a alimentação é muito precária e os doentes estão a morrer de fome, de tuberculose, pneumonia. “Falta-lhes vestuário e lençóis”, relatam.

De acordo com os queixosos, a instituição tem três cozinhas, a do Administrador, da Directora-geral e uma terceira.

Nesta ordem de ideia, contam, cada cozinha serve determinados profissionais, uma serve os médicos, outra os enfermeiros e a terceira os vigilantes, ainda assim a
comida não é digna.

Recordam que na semana finda morreram dois doentes por causa de fome. “Lhes é dado um pirão mal feito, com um pedacinho de frango e algo que nem dá para chamar de molho, nós perguntamos, um hospital com uma verba mensal milionária como é possível dar está alimentação aos doentes?”, questionam.

Direcção desmente

A nossa reportagem contactou o Dr. Herculano e Luís Nascimento, director adjunto e director clínico do Hospital Psiquiátrico de Luanda, respectivamente, que, peremptoriamente disseram que as afirmações dos enfermeiros são falsas.

Para eles, a directora Antónia Sousa tem sido uma mãe para todos; uma excelente pessoa de trato fácil. Mas respeita as opiniões dos outros, “obviamente”.

“Repara que o hospital tem 365 doentes residentes, atende em média 80 pacientes, estamos abertos 24/24 ao dia”, precisou, asseverando que falar de mortes por fome, “isso não é e nunca vai ser verdade, mas admitimos que tem morrido pessoas com diversas patologias, muitas delas adquiridas aqui, e nós encaminhamos para os Hospitais de especialidade”, reconheceu.

Quanto à nudez sublinhou que lidar com doentes do fórum psicótico é muito difícil; repara que podes distribuir uniforme hoje às 09 horas e, no fim do dia, o doente já não tem camisa, o colchão onde dorme rasgou o forro, “e o hospital não rejeita doentes, avaliamos os que se apresentam com estado avançado e internamos, mas os outros passam na condição de ambulatório”, referenciou.

Esclareceu que o Hospital Psiquiátrico de Luanda está desde Julho sem receber a verba cabimentada. “Nós estamos a fazer das tripas o coração para poder aguentar os nossos fornecedores e nunca ficamos com ruptura completa dos stocks de medicamentos”, revelou, enfatizando que a unidade hospitalar conta com uma sala de humanização, composta por médicos, enfermeiros e utentes para tratar de todos os problemas de descontentamento.

De acordo o nosso entrevistado, apenas 17 psiquiatras atendem o país todo. “Não só temos escassez de médicos psiquiatras, como também de espaços. “Urge construírem-se mais hospitais de referência”, recomendou.

in Na Mira do Crime

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