DJ Ângelo: artista talentoso que parte e deixa memórias eternas
DJ Ângelo: artista talentoso que parte e deixa memórias eternas
Dj angelo

Faleceu nesta segunda-feira, 15 de setembro, o produtor e teclista Viegas Neto, mais conhecido no meio artístico por “DJ Ângelo”, considerado um dos nomes mais criativos e influentes da música angolana contemporânea.

O músico sofreu um derrame cerebral no dia 9 deste mês, tendo sido submetido a uma cirurgia no Hospital Dom Cardeal do Nascimento (antigo Sanatório). Apesar de a intervenção ter decorrido com sucesso, DJ Ângelo não resistiu ao processo de recuperação.

Conhecido no bairro Nelito Soares como “Bebé Ângelo”, cresceu no seio de uma geração de jovens artistas que procuravam dar voz e corpo à música angolana.

Amigos e colegas recordam-no como um criador reservado, mas incansável, cuja paixão pela arte marcou várias carreiras de referência.

Carreira e influências

DJ Ângelo iniciou a sua trajetória musical como teclista-programador e produtor, ainda nas décadas de 1980 e 1990, inspirado inicialmente por temas do movimento cristão fundado por Simão Gonçalves Toco, como Kembo e Yala Mayamona.

Pouco depois, encontrou no Zouk a sua principal fonte de inspiração, género que o levou a dedicar-se à música moderna e a afirmar-se como produtor de arranjos musicais.

Entre as suas influências, destacava o cantor antilhano Jules Henri Malaki, a quem prestou homenagem através do projeto “Maihak”, criado nos anos 1990.

Elegeu-me, a mim, o seu consultor desse género musical que frequentemente procurava para sanar dúvidas durante as nossas tardes de convívio no Marçal, Rangel, Bairro Indígena/Nelito Soares, esteando-se aos arredores dos Blocos dos Congolenses, no seu estúdio de música, o primeiro erigido pelo próprio no quintal da sua residência localizada na rua do Buco Zau, a rua do Ti Chico, um conhecido torneiro mecânico.

Mentor e produtor de sucessos

Autodidata e apaixonado por tecnologia, DJ Ângelo também foi técnico de som, dedicando-se à montagem de equipamentos eletrónicos no bairro.

Recebeu o seu primeiro teclado das mãos de Tony Samba, guitarrista e teclista do conjunto Minguito e sua Formação, que se tornou um dos seus mentores.

DJ Ângelo assinou arranjos que marcaram a música angolana nas últimas décadas. Entre os artistas com quem colaborou destacam-se Paulo Flores (Bota-Bota), Elias Diakimuezu (Samba Makia), Maya Cool (Problema, Ti Paciência), Ângelo Boss (Oh Fwa Oh Fêle), Matias Damásio (Saudade – Mal dele é esse), Virgílio Fire (Man Lolas), Semal (Dança do Sal), Zoca Zoca (Dança do Peito), entre outros.

Apesar da relevância do seu trabalho, o nome de DJ Ângelo raramente foi destacado na ribalta, ficando muitas vezes atrás dos artistas que ajudou a projectar. Ainda assim, a sua contribuição foi determinante para a consolidação de vários sucessos musicais em Angola.

Legado discreto, mas eterno

DJ Ângelo partiu de forma discreta, longe dos holofotes, mas deixa uma obra sólida e lembranças profundas no seio da música nacional.

A tristeza pode ser infinita, mas as boas lembranças florescem eternamente”. DJ Ângelo será lembrado como um mestre dos arranjos e um construtor silencioso de estrelas, cuja dedicação ajudou a elevar a música angolana.

À família enlutada, amigos e comunidade artística, ficam as condolências e votos de força neste momento de dor.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido