E os nossos jovens só sabem roubar? – Nsambanzary Xirimbimbi
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Xirimbimbi

Luo Fuli é uma jovem pesquisadora chinesa de 29 anos, é um dos principais nomes por trás do sucesso da chinesa de Inteligência Artificial DeepSeek. Reconhecida como uma “prodígio da IA” na China.

Inicialmente, teve dificuldades em prosseguir a sua formação em ciência da computação na Universidade Normal de Pequim, mas perseverou e ingressou no Instituto de Linguística Computacional da Universidade de Pequim.

Em um só ano, 2019, publicou 8 artigos na conferência ACL, destacando-se e atraindo a atenção de grandes empresas de tecnologia. Posteriormente, trabalhou na Academia DAMO da Alibaba, contribuindo para projectos como o modelo de pré-treinamento multilíngue VECO.

Em 2022, juntou-se à DeepSeek, onde o seu conhecimento em processamento de linguagem natural foi fundamental para o desenvolvimento do DeepSeek-V2, um modelo que rivaliza com o ChatGPT.

A sua crescente reputação atraiu o interesse de empresas como a Xiaomi, cujo fundador, Lei Jun, lhe fez uma proposta de salário anual de 10 milhões de yuans, mas ela não aceitou a oferta.

Luo Fuli e os jovens angolanos: O valor da persistência, do conhecimento e do propósito

A história de Luo Fuli é um exemplo inspirador de como a dedicação, a persistência e o trabalho árduo podem transformar vidas e impactar sociedades inteiras.

Diferente de muitos de nós que vão à escola só para ir buscar papel, veem a universidade e os títulos académicos apenas como um meio para obter um diploma, Luo Fuli abraçou a aprendizagem como um fim em si mesmo, superando desafios académicos e consolidando-se como um dos maiores nomes da Inteligência Artificial na China.

A sua trajetória demonstra a importância da preparação e da busca constante pelo conhecimento, mas também coloca a nú a triste realidade de muitos jovens angolanos, que, infelizmente, não têm sido direcionados para esse mesmo caminho.

Persistência e trabalho árduo: o caminho do sucesso

O início da trajectória de Luo Fuli foi marcado por dificuldades. Ela enfrentou obstáculos para ingressar na área de ciência da computação na Universidade Normal de Pequim, mas, ao invés de desistir, buscou alternativas e conseguiu uma vaga no Instituto de Linguística Computacional da Universidade de Pequim.

Em 2019, destacou-se publicando oito artigos na Conferência ACL, um dos principais eventos científicos da área, atraindo a atenção de grandes empresas de tecnologia.

Esse exemplo reforça que o sucesso não surge do nada. Exige esforço abnegado e contínuo, requer a capacidade de encarar as dificuldades e a disposição de aprender e se aprimorar constantemente.

Muitos jovens angolanos, porém, são incentivados a buscar atalhos, seja na educação, na carreira ou até mesmo na política e nos negócios. A ideia de que basta uma “cunhazita” para garantir um futuro próspero é um equívoco perigoso que precisa ser combatido.

O estudo e a preparação como base para o desenvolvimento

A educação e a formação profissional não devem ser encaradas apenas como uma obrigação ou um meio burocrático para se obter um diploma. A formação deve ser vista como um instrumento de capacitação para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e contribuir para o progresso da sociedade.

O caso de Luo Fuli mostra que o verdadeiro diferencial não está no título académico em si, mas no conhecimento adquirido e na capacidade de aplicá-lo para resolver problemas reais.

A sua experiência na Academia DAMO da Alibaba e posteriormente na DeepSeek demonstra a importância do conhecimento e a relevância de o individuo ter uma base sólida no sector em que labora (em pesquisa e inovação no caso dela).

Isso a catapultou a conseguir avanços significativos em uma indústria altamente competitiva como a Inteligência Artificial.

Os jovens angolanos, como força motriz da sociedade, precisam internalizar essa mentalidade. O desenvolvimento do país depende de profissionais qualificados, criativos e comprometidos com o aperfeiçoamento/atualização contínuo. Infelizmente, muitos limitam-se a frequentar instituições de ensino apenas pelo diploma, sem buscar o conhecimento prático e a experiência necessária para se tornarem verdadeiros agentes de mudança.

Motivação pelo propósito, não apenas pelo dinheiro

Outro aspecto relevante da trajetória de Luo Fuli é a sua motivação. Embora tenha recebido uma oferta milionária da Xiaomi, ela optou por continuar a trabalhar na DeepSeek, onde sabia que poderia contribuir significativamente para o desenvolvimento da Inteligência Artificial.

Esse comportamento contrasta com a mentalidade predominante em muitos sectores, onde o dinheiro é o principal, senão o único, factor de decisão.

Isso não significa que os jovens não devam buscar melhores condições financeiras – pelo contrário, uma remuneração justa é fundamental. No entanto, a busca pelo propósito e pelo impacto positivo deve estar à frente da mera ambição por riqueza.

Quando um jovem prioriza apenas o dinheiro, ele tende a buscar atalhos, ignorando a ética, a excelência e o verdadeiro significado do trabalho.

No contexto angolano, vemos uma realidade preocupante: muitos jovens que assumem cargos de topo sem a devida preparação acabam usando as suas posições para benefício próprio, desviando recursos e comprometendo o funcionamento das instituições.

Em vez de se inspirarem em modelos de excelência e inovação, como Luo Fuli, acabam reforçando um ciclo de corrupção e ineficiência que atrasa o progresso do país.

O que pode ser feito?

Para reverter esse cenário e incentivar a formação de uma nova geração de profissionais capacitados e comprometidos, algumas mudanças são essenciais:

1 – Reforma na Educação: O ensino deve ser voltado para a aplicação prática do conhecimento, estimulando a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento de habilidades técnicas e analíticas.

2 – Promoção da Cultura do Mérito: O acesso a cargos de liderança deve ser baseado em competência e experiência, e não em conexões políticas ou privilégios.

3 – Valorização da Ética e do Propósito: É fundamental promover modelos de sucesso que demonstrem que a realização profissional vai além da busca pelo dinheiro fácil.

4 – Fomento à Inovação: Criar oportunidades para que jovens talentos possam desenvolver projectos inovadores nas suas áreas de especialização.

5 – Mentoria e Exemplos Positivos: Empresas, universidades e líderes devem assumir um papel activo na orientação dos jovens, mostrando que o verdadeiro sucesso vem do esforço e da dedicação.

A história de Luo Fuli é um exemplo claro de que o sucesso vem da persistência, do estudo e da busca por um propósito maior do que o simples enriquecimento pessoal.

Se os jovens angolanos internalizassem essa mentalidade e se dedicassem com seriedade à sua formação e ao desenvolvimento de habilidades, poderiam transformar o país em uma potência de inovação e crescimento.

No entanto, para que isso aconteça, é necessário romper com a cultura do imediatismo, da superficialidade e da corrupção, que ainda permeia muitos sectores da sociedade.

O futuro de Angola depende da qualidade da sua juventude, e essa qualidade só será alcançada quando o conhecimento, o mérito e o compromisso com o bem comum forem colocados acima dos interesses individuais.

    *Docente universitário

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