Edifício colonial em risco de desabar em Viana – Administração municipal cruza os braços
Edifício colonial em risco de desabar em Viana – Administração municipal cruza os braços
Viana

Cerca de 64 famílias, moradores de um velho edifício colonial (de um andar), localizado na zona 10, nas imediações da Direcção Municipal de Saúde em Viana, em Luanda, pedem ajuda às autoridades competentes no sentido de abandonar a estrutura devido ao estado crítico que apresenta.

O Imparcial Press apurou que o velho edifício pode desabar a qualquer momento, tendo em conta as vibrações sentidas durante a madrugada de terça-feira, 5 de Setembro, no momento em que os moradores descansavam, ou seja, a dormir.

No local, a equipa de reportagem deste portal constatou que as colunas do prédio já estão a ruir, pois é visível a estrutura interna de aço, devido à quebra do betão que as cobre.

“De repente, por volta das 4 horas da madrugada, fomos surpreendidos com o tremor da estrutura e, de imediato, saímos todos a correr e fomos se refugiar aos arredores até ao amanhecer”, contou um dos moradores ao Imparcial Press.

Segundo os moradores, está é a quarta vez que o edifício – sem condições de habitabilidade – estremece. “Não é primeira vez que isso acontece”, disse a nossa fonte, continuando que “já é a quarta vez que o prédio mexe. Mas, como não temos onde viver, sempre que isso acontece, somos obrigados a regressar ao edifício depois do susto passar”.

Os mesmos alegam que a situação é do domínio da Administração Municipal de Viana, na pessoa do seu responsável máximo, Demétrio António Brás de Sepúveda.

O Imparcial Press sabe que, a penúltima vez que aquele edifício vibrou (em Junho do corrente ano), o administrador municipal de Viana fez-se presente no local e prometeu aos moradores que dentro de três dias – atendendo o perigo que os mesmos atravessam – seriam realojados para o distrito urbano do Zango, facto que não veio acontecer até a presente data.

Uma das mais antigas moradoras do edifício, Fernanda Garcia, contou que, na altura, foram todos cadastrados pela Administração Municipal de Viana, e que aguardam ansiosamente, há mais de dois meses, pelo realojamento.

“Já não aguentamos mais, o prédio a qualquer momento pode desabar, esta é quarta vez a mexer e dormimos na rua. Pedimos ao senhor administrador que, por favor, venha resolver o nosso problema”, apelou Fernanda Garcia, moradora da zona há 29 anos.

“O administrador havia nos garantido que não teríamos mais quatro dias para viver aqui porque daria solução, infelizmente até agora nunca mais disse nada e já não passa por aqui. Será que estão à espera que morramos e depois comprem os caixões?”, questionou Paula Carvalho, outra moradora daquela zona há 30 anos.

Já a Isabel Raquel, de 61 anos, revelou em prantos ao Imparcial Press que o seu filho, João Manuel, já se atirou do edifício por duas vezes, e, por sorte, se encontra vivinho da silva. A primeira vez foi em Fevereiro do ano em curso, e, ao passo que, a segunda vez aconteceu em Abril, aquando das últimas oscilações alcançadas pela estrutura por consequências das chuvas.

“Em Abril, na altura da última chuva, o prédio mexeu. O meu filho, Emanuel João, atirou-se do edifício até ao chão”, disse, acrescentando que isso aconteceu porque no momento que fugiam, a escada estava muito cheia. “Todos os moradores corriam para sair, porque o prédio mexia muito e o meu filho achou por bem pular da janela e partiu as duas pernas”.

“Estava a chover muito, e o prédio não parava de mexer, a escada, a única saída, estava cheia porque todos queriam sair, eu vi que para me livrar tinha que pular da janela”, contou Emanuel João, de 22 anos, que não consegue superar o trauma que passou naquele momento.

Os moradores, com o aproximar das chuvas, estão cada vez mais preocupados, porque é nesta época que as coisas tendem a piorar naquela zona. Por isso, apelam o administrador de Viana e outros, no intuito de se ver resolvido esse problema que já se arrasta há vários anos.

“Estamos no período chuvoso e nada se fala, apelamos ao administrador do nosso município ou aos seus chefes que nos dêem logo outras casas, porque aqui vamos morrer”, apelam os moradores.

Refira-se que nesta zona 10, denominada também como Desactivados Campos de Refugiados, para além das 64 famílias residentes no edifício, ainda no mesmo local há outras cercas de 300 famílias, que vivem em casas de bate chapas, todas oriundas das províncias do Huambo, Bié e Bengo, isto desde 1992 devido à guerra fratricida que assolou o país.

Este jornal tentou contactar o administrador do município de Viana a fim de esclarecer a situação, mas não houve êxito.

Cambundo Caholua

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