Efectivos da polícia apelam ao Presidente da República por reajuste salarial e subsídios em municípios mais isolados
Efectivos da polícia apelam ao Presidente da República por reajuste salarial e subsídios em municípios mais isolados
Escola da Polícia

Numa carta aberta dirigida ao Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, com cópia ao ministro do Interior e ao comandante-geral da Polícia Nacional, agentes da corporação manifestaram preocupações sobre as condições salariais e a ausência de subsídios essenciais, apelando por uma revisão urgente das suas condições socio-económicas.

No documento, em posse do Imparcial Press, os agentes destacam que os polícias que operam nos municípios classificados como tipo C e D enfrentam enormes dificuldades, lamentando não terem acesso aos subsídios de isolamento atribuídos a outros profissionais do sector público, como professores, médicos e enfermeiros.

Segundo os agentes, essa desigualdade é incompreensível, dado que enfrentam desafios semelhantes nas mesmas regiões.

“Será que somos diferentes biologicamente e socialmente? Nós também enfrentamos as mesmas dificuldades, mas até agora não recebemos os mesmos subsídios,” questionam os polícias.

A carta descreve a realidade vivida pelos agentes da polícia, que diariamente garantem a manutenção da ordem e tranquilidade públicas, trabalhando sob condições adversas, como exposição prolongada ao sol, poeira e chuva, frequentemente sem acesso a alimentação adequada ou condições mínimas de trabalho.

Os agentes sublinham ainda os “sacrifícios pessoais e familiares” que enfrentam, como a impossibilidade de celebrar datas importantes junto das suas famílias.

Os polícias denunciam a “falta de subsídios essenciais”, como os de “atavio, alimentação, transporte e piquete”, bem como o não fornecimento de benefícios adicionais, como o cabaz de Natal, comum em outros sectores.

“A vida está difícil. O salário mal cobre as despesas com alimentação, pagamento de aluguer e medicamentos. Sentimo-nos desvalorizados e esquecidos”, alertam os agentes, apelando por um reajuste salarial que esteja “em consonância com as exigências do momento actual”.

No documento, os agentes questionam a “perceção social negativa” da profissão, reforçando que a polícia desempenha um papel crucial para a “estabilidade e desenvolvimento do país”.

“Estamos sempre em prontidão, sacrificando-nos pelo bem-estar coletivo. É justo que tenhamos condições dignas de vida e trabalho”, defendem.

Por fim, os signatários apelam ao “Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, ao ministro do Interior e ao Comandante-Geral da PNA que revejam, com caráter de urgência, a questão dos subsídios de isolamento e as condições salariais dos polícias que operam em regiões mais isoladas”.

“Somos cidadãos angolanos, com famílias e necessidades iguais às de todos os outros profissionais. Pedimos justiça e valorização do nosso trabalho para que possamos contribuir ainda mais para uma Angola melhor”, conclui a carta.

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