
Vários diplomatas afectos à embaixada de Angola nos Estados Unidos da América alegam ter sido ameaçados e pressionados pelo embaixador Agostinho de Carvalho dos Santos Van-Dúnem a assinarem uma carta destinada a desmentir publicamente as denúncias divulgadas pelo Imparcial Press sobre o clima de tensão que se vive naquela missão diplomática.
Segundo fontes deste jornal, o documento terá sido redigido pelo próprio embaixador e apresenta como falsas todas as notícias divulgadas sobre a embaixada, incluindo as que denunciam o alegado atraso no pagamento de salários aos funcionários há mais de três meses, bem como a greve de uma semana realizada recentemente pelos funcionários.
Este jornal soube que vários diplomatas sentiram-se obrigados a subscrever a carta por receio de eventuais represálias administrativas e profissionais.
Entre as principais preocupações manifestadas está a possibilidade de serem chamados de volta a Angola antes do termo das respectivas missões diplomáticas.
Fontes do Imparcial Press afirmam que o embaixador terá advertido que os diplomatas que se recusassem a assinar o documento poderiam regressar ao país sem receber os valores correspondentes aos salários em atraso.
Para reforçar a pressão, terá recordado episódios anteriores em que diplomatas cujo mandato terminou regressaram a Angola sem que as pendências salariais tivessem sido resolvidas.
A título de exemplo estão os casos de N’Kruma e Ângelo (Fidel), um ligado ao Serviço de Inteligência Externa (SIE) e outro ao protocolo do embaixador, que terão regressado recentemente a Angola e estariam a realizar diligências junto do Ministério das Relações Exteriores para tentar resolver a situação dos salários em atraso.
Estes episódios têm sido utilizados internamente como exemplo das consequências que podem enfrentar os diplomatas que optem por não alinhar com a versão apresentada pelo chefe da missão diplomática.
Os diplomatas relatam ainda que, em conversas internas, Agostinho Van-Dúnem terá reiterado que conta com o apoio do Presidente da República, João Lourenço, sugerindo que dispõe de margem para agir sem consequências.
Os diplomatas questionam ainda o facto de o embaixador ter recorrido ao portal Club-K para negar as acusações, sem, no entanto, apresentar comprovativos que demonstrem o pagamento dos salários em atraso ou esclarecer a situação do prometido reajuste salarial de 1000%, anunciado desde 2024.
Alguns funcionários afirmam igualmente que o referido portal não tem divulgado as denúncias apresentadas pelos diplomatas da missão, circunstância que, segundo as fontes, levanta dúvidas sobre a imparcialidade da cobertura do caso.
Perante o clima descrito como de crescente tensão e desconfiança dentro da missão diplomática, os diplomatas apelam directamente ao Presidente João Lourenço para que intervenha com urgência na situação.
Na sua opinião, o prolongamento do impasse poderá comprometer a imagem internacional de Angola, sobretudo num país como os Estados Unidos da América, onde a representação diplomática assume particular relevância nas relações bilaterais.
Os funcionários defendem ainda a realização de uma inspecção independente e transparente que permita apurar as denúncias, esclarecer a situação salarial e avaliar o ambiente institucional no seio da embaixada.
Para os diplomatas, a actual conjuntura revela um nível preocupante de tensão institucional e levanta sérias interrogações sobre o respeito pelas normas que regem o funcionamento da diplomacia angolana no exterior.