Empresa de Silvestre Tulumba assegura obras de universidades em Cabinda e Malanje no valor de 340 milhões de euros
Empresa de Silvestre Tulumba assegura obras de universidades em Cabinda e Malanje no valor de 340 milhões de euros
Tulumba

As empreitadas para a construção e apetrechamento das universidades 11 de Novembro, em Cabinda, e Rainha Njinga a Mbandi, em Malanje, avaliadas em mais de 340 milhões de euros, foram entregues à empresa MERCONS, ligada ao empresário e membro do Comité Central do MPLA, Silvestre Tulumba Kaposse.

Os contratos resultam de ajustes diretos aprovados em julho pelo Presidente da República, cujos despachos não identificavam a empresa responsável.

O Novo Jornal confirmou, porém, que a execução das obras foi atribuída à MERCONS, através de documentos assinados pelo ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação.

De acordo com os termos aprovados, a Universidade 11 de Novembro terá um investimento de 171,3 milhões de euros, enquanto a Universidade Rainha Njinga a Mbandi absorverá 172 milhões de euros.

A justificação oficial para o recurso ao ajuste direto sublinha a “necessidade imperiosa de dotar as instituições públicas de ensino superior de valências e infraestruturas adequadas ao desenvolvimento académico, científico e tecnológico do país”.

A MERCONS já havia sido beneficiada com outros contratos de grande dimensão, entre os quais a reabilitação de 300 km da EN 105, que liga Lobito ao Lubango, avaliada em 339,7 milhões de euros.

Paralelamente, o Grupo S. Tulumba prepara-se para inaugurar, ainda este mês, o Complexo Industrial do Kikuxi, em Luanda, no quadro das celebrações dos 50 anos da Independência Nacional.

O projecto, promovido através do Pólo Industrial de Bebidas e Alimentos de Angola Lda., prevê a produção de massas, óleos vegetais, bolachas, lacticínios e outros bens alimentares, segundo comunicado do Governo.

O percurso de Silvestre Tulumba

Natural da Huíla, nascido em 1981, Silvestre Tulumba começou como motorista de táxi antes de se afirmar como empresário, apoiado pelo então ministro da Defesa, Kundi Paihama, com quem manteve proximidade.

Em 2002, tornou-se fornecedor de viaturas ao Governo Provincial da Huíla, expandindo depois a atividade para outros ministérios.

Em 2016, liderando o grupo A. S. Tulumba – Investimentos e Participações, assinou contratos de investimento avaliados em 1,2 mil milhões de dólares. Dez dos 11 projectos foram aprovados por despacho presidencial, por envolverem montantes superiores a 10 milhões de dólares.

A trajectória de Tulumba tem, no entanto, sido marcada por episódios de polémica e dívidas. Em 2019, o jornal Sol noticiava incumprimentos no sistema financeiro angolano, litígios nos Estados Unidos relacionados com negócios de aviação, além de uma investigação do DIAP de Lisboa devido a salários em atraso em empresas do grupo.

A imprensa portuguesa também destacou o estilo de vida luxuoso da família Tulumba, incluindo a utilização de um jato privado Falcon e a posse de automóveis de gama alta, como um McLaren e um Bentley Bentayga, frequentemente avistados em Lisboa.

com/NJ

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