
O empresário Carlos São Vicente, condenado a nove anos de prisão por crimes de peculato, fraude fiscal e branqueamento de capitais, encontra-se internado em estado crítico na Clínica Girassol, em Luanda, após ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória, segundo avançou o Novo Jornal.
O episódio ocorreu na segunda-feira, 29 de Setembro, quando o recluso, actualmente a cumprir pena no Estabelecimento Prisional de Viana, apresentou picos de tensão arterial.
Inicialmente, foi assistido pela equipa médica da unidade prisional e transferido para o Hospital Prisão de São Paulo, de onde seguiu de urgência para a clínica Girassol.
Fontes hospitalares confirmaram o internamento do empresário, que se encontra sob forte vigilância dos serviços penitenciários.
Este detalhe é interpretado por analistas como uma medida preventiva, já que, em casos semelhantes, problemas de saúde têm sido utilizados pela defesa como argumento para solicitar libertações antecipadas por razões humanitárias.
A família de São Vicente, nomeadamente a esposa Irene Neto, filha do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, tem reiterado pedidos de libertação condicional, alegando o estado de saúde fragilizado do empresário e o tempo de prisão já cumprido.
Contudo, as autoridades angolanas mantêm a decisão de manter o empresário em regime prisional.
Condenado em Março de 2022, Carlos São Vicente foi sentenciado a nove anos de prisão e ao pagamento de uma indemnização milionária ao Estado angolano, após ser acusado de ter montado um esquema ilegal que terá permitido a extração de mais de 900 milhões de dólares da Sonangol, valores que acabaram depositados em contas na Suíça.
Em 2023, o Tribunal Constitucional negou um recurso de inconstitucionalidade apresentado pela defesa, considerando que não havia provas de violação de direitos fundamentais, como fora alegado.
O internamento de São Vicente reacende o debate sobre a gestão de reclusos doentes em Angola, entre suspeitas de possíveis manobras judiciais e a necessidade de assegurar condições humanitárias mínimas aos detidos em situação clínica crítica.